Com o fim do recesso de fim de ano na empresa, 2008 enfim começará nesta segunda-feira, ao menos para mim. Ano de expectativas como poucas vezes tive, e momento de fazer promessas e assumir compromissos.
Um deles, como comentarei ao final deste post, é tentar combater meu costume de não fazer posts sobre assuntos que já tenha visto tratados em outros recantos. Desta forma, nada mais justo do que, neste primeiro post de 2008, me obrigar a fazer uma daquelas infalíveis - quiçá insuportáveis, a esta altura - listas do melhor do ano que passou.
Sem maiores delongas, vamos à lista em si, com apenas um caveat: não se trata daquilo que achei realmente melhor em 2007, mas sim do que mais positivamente me surpreendeu. Leiam e vocês entenderão.
2007 em Revista
Tecnologia (hardware) - Asus Eee PC: leve, minúsculo, com aparência de brinquedo, configuração modesta e preço bastante acessível. Esta foi a aposta da empresa taiuanesa para criar um notebook popular e extremamente portátil - uma resposta mainstream ao OLPC - que, como quem acompanha o assunto já deve saber, superou todas as expectativas. Feliz proprietário de um há pouco mais de um mês (estou escrevendo este post nele, inclusive), prometo uma resenha decente para o próximo post.
Tecnologia (software) - Twitter: para mim, o Facebook é muito mais interessante e essencial. Mas ainda assim, a minha grande surpresa em 2007 foi descobrir que o Twitter - aquela ferramenta feita para que seus amigos pudessem saber, via SMS, toda vez que você foi no banheiro ou ficou preso no engarrafamento - podia ser realmente útil como ferramenta de comunicação, algo um pouco mais pessoal e imediato que o e-mail, mas sem a banalidade de um MSN.
Disco - “The Black Parade”, My Chemical Romance: assim como o rock progressivo gerou uma série de bandas de sonoridade rigorosamente igual (EL&P, Yes, e sua prole), também o tal emocore tem enchido as rádios de bandas como Reação em Cadeia, NX Zero, Fall Out Boy e Panic! at the Disco. Mas assim como no progressivo sempre houve um King Crimson ou Mahavishnu Orchestra para experimentar e misturar outros estilos, este último disco do My Chemical Romance é uma fantástica demonstração de como há boa música para ser feita sob a alcunha de emo. Além do heavy metal (e até o famoso metal melódico, como na linha de guitarras no início de “Welcome to the Black Parade”) imediatamente óbvio, estão lá Chuck Berry - no solo de “Teenagers”, forte concorrente a hino da juventude desta década -, ou os arranjos vocais típicos do Queen. Até mesmo uma polka - “Mama” - ganhou roupagem moderna.
Livro - “Everyman”, Philip Roth: um homem tão comum que não merece nem um nome, leva uma vida comum até, subitamente, se ver numa meia idade de saúde debilitada, amigos e familiares alienados, e desejo sexual incompatível com suas condições. Uma das mais duras e interessantes visões que já li sobre o “massacre” de envelhecer.
Filme - Tropa de Elite: mesmo sem a ele ter assistido, achei interessante a escolha de “O Ano Em que Meus Pais…” como indicação brasileira ao Oscar. Me faz pensar que, finalmente, os cinemeiros do Brasil estão começando a se preocupar mais com filmes que agradem a platéia e menos em fazer artê. Por outro lado, penso que é uma grande injustiça tirar de Wagner Moura a merecidíssima chance de concorrer à estatueta de melhor ator - ainda que perdesse para, tudo indica, Daniel Day-Lewis. Sua atuação, sozinha, já vale o ingresso, a pipoca e mais um pouco.
Show - Matisyahu @ Pepsi On Stage - mais um daqueles shows que sempre tive curiosidade em ver, mas nunca imaginei que chegariam a Porto Alegre. Maiores comentários podem ser lidos na resenha lá no PAlegre, mas o resumo é que, ainda que o cantor tenha parecido alheio à platéia, foi uma performance excelente, e muito acima do que normalmente temos oportunidade de ver por aqui.
Série de TV (ficção) - Chuck: nunca gostei de Lost, enchi o saco de Heroes na metade da temporada passada; House teve, até agora, sua pior temporada, e Stargate: Atlantis continua sendo a mesma coisa de sempre. A grande surpresa deste ano, para mim, foi esta semi-comédia (sem claque, e com episódios de uma hora) sobre um nerd que, ao receber por celular o download de um banco de dados da CIA para o seu cérebro, subitamente tem que aprender a viver como espião do governo norte-americano. Se a premissa é absurda e as cenas de ação parecem pobres e mal coreografadas, as dificuldades de Chuck em manter suas relações com sua irmã e amigos, e sua paixão platônica pela colega de trabalho, tornam a série surpreendentemente divertida.
Série de TV (não-ficção) - Top Gear: nenhuma surpresa aqui. Para quem gosta de carros, é absolutamente imprescindível assistir. E mesmo para quem não gosta, o humor de Jeremy Clarkson e companhia deve render boas risadas. Assistam aos primeiros episódios dessa temporada, mostrando a empreitada dos três atravessando o sul dos Estados Unidos para entender do que estou falando.
O ano que vem e o ano que passou
A segunda e inevitável parte destas listas é falar do ano que passou e estabelecer metas para o próximo ano. A verdade é que não sou muito afeito a promessas ou grandes planejamentos, pois sou da política de que as coisas, de um jeito ou de outro, acabam se ajeitando. E assim foi 2007, ano que começou com a incômoda hipótese de uma mudança para São Paulo atrás de oportunidades profissionais que estavam difíceis de encontrar por aqui, mas acabou com um emprego que, pela primeira vez, me permitiu vislumbrar uma carreira a seguir na vida.
Por isso, como disse no começo do post, o ano de 2008 começa como um de raras expectativas. No trabalho, novos projetos prometem não só desafios interessantes, como a possibilidade de trabalhar com ainda mais pessoas legais - isso em um lugar onde não é um exagero dizer que se vive cercado de pessoas extraordinárias como o Menezes, para citar alguém que vocês conheçam. Além disso, a descoberta do knowledge management e suas intermináveis aplicações em um ambiente corporativo (especialmente usando ferramentas como wikis e redes sociais) ainda me deixa completamente em chamas ao pensar em tudo que posso fazer na área.
Também alguns projetos “extra classe”, pessoais ou nem tanto, devem finalmente poder receber a atenção e disposição necessárias para irem para frente. Um deles, inclusive, já prometido por aqui anteriormente e conhecido por alguns, deve ver a luz do dia muito em breve. Mas, como um post desses não é nada sem uma lista, vamos a cinco metas para o ano que começa (número aleatoriamente copiado do Inagaki):
1. Chegar à faixa verde de Kyokushin: se conheço o Pettini, ele diria que, se tivesse vergonha na cara, eu devia chegar a 2009 na faixa marrom e treinando para a preta. Mas como sou modesto e não tenho certeza se tenho a dedicação necessária para encarar o puxadíssimo exame da marrom, prefiro deixar pelo menos essa meta em um nível mais realista.
2. Viagens: curiosamente, os dois caras que considero meus melhores amigos no mundo moram longe de Porto Alegre - um em Brasília, o outro em Montreal. Já fui à primeira algumas vezes e, como a considero a melhor cidade para se morar no Brasil, volto sempre que possível, mas vergonhosamente não consegui visitá-la no ano que passou. No Canadá, por outro lado, nunca botei meus pés. Não por falta de convite, claro, mas da soma de fundos e tempo livre para tanto. Este ano, espero, com um pouco de planejamento prévio resolvo esta falha em minhas férias.
3. Blogs: tudo se resume a planejamento. Um post por semana aqui, um por semana no Proverbial e, quem sabe, um por dia no PAlegre (de qualquer um dos colaboradores, claro), não são metas nada impossíveis. Basta um pouco de disciplina e planejamento, que deve ser a tônica deste meu 2008 para tudo.
4. Cultura: para alguém que, entre outras coisas, trabalha envolvido com um portal de cinema, é uma vergonha ter visto tão poucos filmes no ano que passou. Desta forma, a primeira decisão, imperativa, é conseguir manter uma média de um novo filme por semana (sejam lançamentos no cinema, DVDs, Divx ou mesmo televisão). No campo da literatura, mesmo que há muito tempo ache que Internet e papel são a mesma coisa em termos de leituras e cultura, ainda acho que li menos do que devia em 2007. Assim, as metas para 2008 serão finalmente ultrapassar a faixa dos 200 feeds no meu Google Reader e/ou ler pelo menos 50 livros no ano. De novo, nada impossível.
5. Não comprar produtos Sony ou Apple: quem me conhece sabe que não há empresas no mundo pelas quais tenha mais desprezo do que estas duas, com suas ridículas políticas de criar sempre tecnologias o mais fechadas possível. Mas, por mais incrível que possa parecer, esta é a meta que, acredito, será a mais difícil de manter. Primeiro, porque uso uma DSLR da Minolta, empresa comprada em meados de 2007 pela Sony, de forma que quaisquer acessórios “oficiais” para ela são produzidos por esta. Além disso, com as notícias de que também a Warner irá usar apenas Blu-Ray como formato de distribuição em alta definição, será complicado evitar de acabar comprando algo com o selo da Sony. E por fim, há algum tempo tenho cogitado a idéia de comprar um MP3 player de grande capacidade, HD-based. Com o diminuto HD de 4GB do meu notebook, a idéia se torna ainda mais interessante pela possibilidade de utilizá-lo também como drive externo. Só que, alguém aí conhece um MP3 player de grande capacidade e que funcione como drive externo via USB em qualquer sistema operacional, sem a necessidade de instalar nenhum programa, além do iPod? Aceito sugestões.
E assim, que venha 2008. Ou melhor, que venha 2009 para eu poder prestar contas de tudo que aqui está. Se é que ainda existirão blogs até lá, ou que eu estarei por aqui a escrevê-los.
4 responses so far ↓
1 Cássia // Jan 6, 2008 at 8:34 pm
Suerte, querido! E faça mais posts, sim?
2 maria paula // Jan 10, 2008 at 12:17 pm
que bonitinho, amigo! sem falar que me achei: ando explorando o twitter e suas possibilidades junto ao facebook e também achei o asus eee tu-do. my chemical romance adoro. mas e o mika? tu tem que fazer um update :)
3 Menezes // Jan 15, 2008 at 10:57 pm
Poxa, que felicidade a citação, querido. Eu que me considero um afortunado de trabalhar contigo.
E belo post e bons planos. Espero que no final de 2008 risque um a um com um VISTO numa prancheta! Como uma lista.
Igual a Rolling Stones!
Pau na máquia!
4 efeefe // Jun 27, 2008 at 9:23 pm
po, fiquei esperando o review do asus eee… tô pra pegar um amanhã. vale?
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