
Pois este New Beetle aparentemente inofensivo causou rebuliço na blogosfera norte-americana nesta quinta-feira. Tudo porque a Google resolveu lançar uma novidade em seu serviço de mapas que permite visualizar fotos, tiradas pelas câmeras montadas dentro daquela espécie de antena sobre o Fusca, das ruas de várias cidades dos EUA.
No Boing Boing, uma leitora ficou apavorada ao descobrir que haviam tirado uma foto da janela de sua casa, onde podia se ver seu gato olhando para a rua. E se fosse ela na janela? Foi o suficiente para gerar uma longa discussão, e mais três posts sobre o assunto.

No Google Sightseeing, por sua vez, a novidade tem rendido uma série de posts bem humorados, como a do rapaz mijando em um arbusto no meio da rua em São Francisco, outro pulando um muro para entrar numa casa, além da Grande Abóbora do Linus. Tenho quase certeza que, nos próximos dias, o YouTube deve notar uma sensível queda no seu uso, enquanto as pessoas trocam de passatempo enquanto fazem de conta que trabalham.
Mas e a privacidade da moça do gato, aquela, no Boing Boing? Bom, como alguém comentou por lá mesmo, todos estão sempre prontos a defender os direitos de fotógrafos amadores que sofrem tentativas de intimidação por parte de seguranças particulares e mesmo policiais, ao tentarem tirar fotos de prédios e locais públicos, ao caminhar por ruas igualmente públicas. Pois o método utilizado pelo Google não é muito diferente disso, e tenho certeza que se alguém se der ao trabalho de procurar, vai encontrar o mesmo tipo de coisa em qualquer site como o Flickr.
Por outro lado, essa discussão me lembra um pouco a gritaria quando o Facebook começou a oferecer ferramentas que permitiam ao usuário ser avisado de mudanças nos perfis de seus amigos. Como naquele caso, o problema não é o Google publicar esta informação, mas sim a maneira com que a organiza e disponibiliza para seus usuários. Uma coisa é alguém, por alguma busca ou por conhecer o fotógrafo, encontrar a foto de um rapaz mijando em um arbusto, ao fuçar no Flickr. A outra é ele saber em que cidade e rua, exatamente, isto aconteceu.
Confesso que, por um lado, acho a novidade interessante e mesmo útil para quem porventura for viajar para estas cidades. Por outro, no entanto, assim como odeio ver câmeras de vigilância pública espalhadas pelas esquinas da minha cidade, não vejo razão alguma para ter que gostar da idéia quando se trata de uma empresa privada com intenções bem menos louváveis. Estou plenamente aberto a ser convencido do contrário, mas por ora minha opinião é de que o melhor seria que a Google tivesse deixado essa idéia guardada até pensar em uma implementação menos controversa para ela.
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