Muito já se falou sobre a cooperação da Google com autoridades policiais do mundo inteiro quanto a identificar conteúdo impróprio em perfis e comunidades do Orkut. Mas até onde se sabe, o máximo que tais autoridades podem fazer sem um mandado judicial é marcar o que consideram inadequado para que a Google faça sua própria revisão diante das suas condições de uso e, se decidir tirar o conteúdo do ar, o mantenha para futuras necessidades judiciais.
Já quando se trata de empresas privadas:
Pode soar como um game show para contadores, mas Claim Your Content na verdade é o nome da nova ferramenta de monitoração de conteúdo do YouTube. Até onde conseguimos entender, é uma função automatizada que acompanha todo vídeo publicado por usuários. Donos de conteúdo, incluindo membros publicamente anunciados do Claim Your Content como a NHL e a NBA, terão o direito de se logar e arrancar qualquer conteúdo que considerem estar infringindo seus direitos autorais.
Espero que, como no caso do Orkut, a ferramenta não permita a ninguém tirar nada do ar antes de a própria Google revisar o conteúdo ou as pessoas apresentarem um mandado judicial. Mas considerando as histórias de terror de quem já teve que provar para a Google que tinha direito de publicar determinados vídeos, eu não estou muito otimista.
Cada dia mais, tenho a impressão de que o YouTube está seguindo os caminhos do Napster: como responsável pela popularização da tecnologia, é quem vai acabar sendo sufocado pela força legal das grandes companhias de entretenimento; enquanto a tecnologia vai continuar sendo evoluída por outros serviços que seguirão em seus passos.
E aproveitando o ensejo, para os que ainda acreditam naquela história de “do no evil” ou que acham que como a Google lida com seus negócios é problema só dela, recomendo este artigo. Especialmente para aqueles que precisam de propagandas e do fluxo de leitores que o serviço de busca mais usado do mundo lhes garante.
3 responses so far ↓
1 Wilson // Apr 18, 2007 at 1:59 am
Sobre a questão de “não tirar nada do ar antes de um mandado judicial”… pela lei americana, não funciona assim. Se alguém apresentar ao site um requerimento, em um formato específico, afirmando (oficialmente, sob pena de punição em caso de mentira) ser o dono do copyright de algum conteúdo e pedindo a retirada, o dono do site deve retirar e informar o responsável por ter postado o conteúdo. O responsável pelo conteúdo pode apresentar uma resposta (também oficial, também sob pena de punição etc. etc.) dizendo que ele, sim, tem o copyright, caso em que o site deve colocar o conteúdo de volta até uma decisão judicial.
2 Alexandre Fugita // Apr 18, 2007 at 3:34 am
Não acho que o YouTube vá afundar como o Napster e se tornar apenas o desbravador de todo um mercado. Eles estão tentando ao seu modo descobrir formas eficientes de proteger os direitos dos detentores do conteúdo. Tá certo que fazem vista grossa pra muita coisa e se beneficiam disso. Tem também, como acho que vc já comentou em algum lugar anteriormente, o DMCA, que acaba sendo favorável ao YouTube.
obs: olha que engraçado. O artigo que vc linka no final do seu post está aqui na minha aba do Firefox há alguns dias esperando leitura, hehehehe! Acho que vou ler agora!
Abraços!
3 Solon // Apr 18, 2007 at 5:08 am
WILSON: sim, o famoso “DMCA takedown notice”. mas a julgar pelo post do Gizmodo, a tal ferramenta permitiria que os grupos associados pudessem tirar os vídeos do ar sem nem isso. claro, a história está ainda muito mal explicada, mas de toda forma não é uma notícia que me agrada nem um pouco.
FUGITA: o problema não é se o DMCA os protege ou não. a questão é que se os usuários começarem a 1) não encontrar o que procuram lá, mas sim em competidores; 2) terem muitos de seus vídeos tirados do ar por pedidos das RIAA da vida; ou, pior, 3) tiverem que encarar alguma espécie de DRM e/ou começarem a ser diretamente processados pelas empresas por violação de direitos autorais (o que eu acho que só não aconteceu ainda porque elas preferem tentar descobrir um jeito de ganhar dinheiro com isso, e porque é a Google); acho que é fácil de todo mundo começar a migrar para serviços semelhantes, como continua acontecendo com os P2P por aí.
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