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avançar sem sair do lugar

March 26th, 2007 · 11 Comments

Tínhamos câmeras fotográficas de 35mm, quando as digitais começaram a se tornar popular em meados da década de 90. Qualidade horrível, necessidade de saber usar Photoshop para ter fotos decentes, enfim, na prática a tecnologia da fotografia sofreu um retrocesso que apenas agora, 10 anos depois, estamos conseguindo recuperar. Para, agora, as câmeras digitais em celular se tornarem a nova mania do momento.

Tínhamos televisões e monitores de raios catódicos, quando o cristal líquido e plasma começaram a se tornar populares no começo deste século. Problemas de fidelidade de cores e tempo de resposta, contraste insuficiente, burn-in, enfim, na prática a tecnologia de televisões e monitores sofreu um retrocesso que ainda não parecemos estar perto de resolver. E a onda do momento é assistir a vídeos em celulares e iPods.

Temos computadores em casa com memória, processadores e placas de vídeo com capacidade de processamento absolutamente impensáveis há cinco, dez anos atrás, mas dizem que o futuro da computação está em aplicativos via web. Programas que só funcionam quando a conexão está funcionando perfeitamente, cuja velocidade é extremamente limitada pelo acesso à rede, e com quase nenhuma funcionalidade. Enfim, na prática estamos de volta aos tempos do Lotus 1-2-3 rodando no MS-DOS. E a onda do momento é rodá-los offline.

BTW: recomendo a leitura desta coluna do Glenn “Instapundit” Reynolds para a Popular Mechanics, sobre a mania do digital sobre o analógico no controle de funções do carro, que pode ser obviamente aplicada a uma série de outros casos.

Tags: geek · trends

11 responses so far ↓

  • 1 Eduardo // Mar 26, 2007 at 8:27 pm

    Taí uma coisa que concordamos!

  • 2 Diego // Mar 28, 2007 at 8:50 pm

    Porque é tão rara a existência de pessoas não-deslumbradas com qualquer feature que apareça?

    Teu blog faz parte do time dos raros.

  • 3 Alexandre Fugita // Mar 29, 2007 at 6:14 pm

    Opa Solon,

    Eu que quase sempre discordo de vc preciso novamente discordar. A comparação é interessante mas em todos os casos houve sim evolução tecnológica. O que mudou foi o meio pelo qual as coisas acontecem. Não podemos ficar parados no tempo achando que a TV de raios catódicos ou que o HD dos nossos computadores ou que os vídeos sempre serão estáticos para o resto de nossa existência.

    Acredito que daqui 10 anos tudo será diferente e essa discussão nem fará sentido mas certamente sempre a tecnologia vai evoluir.

    Abraços!

  • 4 Solon // Mar 29, 2007 at 7:51 pm

    ALEXANDRE: tenho certeza que em 10 anos a tecnologia terá avançado bastante, mas não vejo indicação alguma de que o cerne desta discussão deixará de fazer sentido. não estou, obviamente, sugerindo que a tecnologia não avança. estou criticando, sim, a incapacidade das pessoas de esperar que ela efetivamente avance.

    não é que televisões de raios catódicos sejam melhores do que LCD, plasma ou qualquer nova tecnologia. é simplesmente que estas ainda não estão devidamente maduras e, portanto, sofrem ainda de uma série de problemas (burn in, fidelidade de cores, tempo de resposta etc). e quando todos ficam a exaltar a nova tecnologia apenas pela sua novidade, o que temos é um monte de gente comprando este tipo de televisão e descobrindo que a imagem é muito pior do que tinham com seu televisor antigo.

    esta questão dos programas web based também é típica. logo que começaram a surgir coisas como o Writely, os “especialistas” saíram correndo para ver quem declarava antes a morte do MS Office. enquanto isso, qual é a realidade? o conjunto de aplicativos da Microsoft continua com um market share beirando os 100%, com sua nova versão sendo o principal incentivo a quem quiser migrar para o Vista, e as startups dos aplicativos online estão fazendo versões para o desktop, que permitam rodá-los offline, utilizando-se de todo o poder de processamento e velocidade do computador. seguindo o que algumas pessoas mais conservadoras - inclusive o responsável pelo Office - diziam desde o começo.

    a lógica, claro, pode continuar: quando o vídeo caseiro, enfim, ultrapassou o cinema em qualidade, mantendo-se barato, a onda do momento é assistir a vídeos em qualidade pior que VHS e que é preciso dias ocupando a Internet para baixar. para depois assisti-lo na gigantesca tela de 2″ de um iPod. e assim por diante. na ânsia de ser o primeiro a identificar a “próxima grande novidade”, as pessoas esquecem de ter um mínimo de senso crítico sobre o real estado daquela tecnologia.

  • 5 Marcus // Mar 30, 2007 at 4:51 pm

    Interessante reflexão, Solon, mas acho que, neste caso, significa dar um passo atrás para dar dois na frente. As pessoas que abraçam as novidades antes acabam contribuindo para que estas melhorem e se tornem produtos viáveis para o público em geral.

    Eu também não sou um freak por novidades. Estou pensando em comprar um iPod Nano porque ele já é um produto que me satisfaz inteiramente. Cabe no bolso, tem capacidade pra um monte de música, e ninguém precisa de um trambolho como o iPod normal pra ver vídeos minúsculos.

  • 6 Solon // Mar 30, 2007 at 11:05 pm

    MARCUS: contanto que ninguém diga que a nova tecnologia é inerentemente superior à antiga apenas porque é nova, concordo plenamente.

  • 7 Alexandre Fugita // Mar 31, 2007 at 5:07 am

    opa!

    A imagem da tv de plasma/ Lcd não é pior pq o aparelho voltou em tecnologia e sim pq o sinal da TV analógica que chega pelo cabo/ ar é de péssima qualidade. E quando expandimos isso para um lugar maior dá pra ver as imperfeições. Além disso uma TV de plasma/ LCD gasta menos energia do que uma de raios catódicos o que é um grande avanço tecnológico.

    Uma câmera digital pode ter piorado inicialmente a qualidade das fotos por falta de pixels, sei lá. Mas barateou enormemente a possibilidade de tirar centenas de fotos e revelar só aquelas que vc deseja. Isso não era possível antes. Evolução tecnológica.

    O Word, Excel, Open Office ficam restritos ao desktop, não conseguem interagir com a web/ outros que usam os mesmos programas. Os softwares on-line são um grande avanço. A colaboração simples e transparente é um enorme avanço. Economiza tempo (não preciso ficar mandando as versões do texto toda hora por email), facilita o trabalho, etc. Concordo com vc que parece que a tendência é algo integrado com o desktop ou rodar off-line. Mas sem a parte on-line nunca seria um avanço.

    Hoje no YouTube assistimos a um vídeo pior que o VHS, isso é fato. Mas foi um avanço gigantesco no barateamento da distribuição de conteúdo que só foi possível com avanço tecnológico.

    Putz, devia ter feito um post de conversação. Ficou gigante minha resposta, hehehe!

    Abraços!

  • 8 Solon // Mar 31, 2007 at 4:13 pm

    ALEXANDRE: enquanto o avanço me fornecer produtos e serviços PIORES do que a tecnologia anterior, é porque ainda não houve avanço algum. o conceito pode estar lá, podemos prever o que irá acontecer, mas enquanto significar deixar de ver um filme em alta definição no conforto de sua sala, para ver um vídeo com qualidade horrorosa numa tela minúscula, o nome disso é retrocesso, não avanço.

    quanto à imagem da TV de plasma ou LCD não ser pior por causa de um retrocesso tecnológico, acho que estás te esquecendo de alguns detalhes. bom, primeiro, o que estou falando não é de retrocesso, mas de tecnologias ainda não devidamente desenvolvidas. em cujo caso, sim, é este o problema com televisões de plasma e LCD, com seus problemas de fidelidade de cores e tempo de resposta. vá a uma loja qualquer, e veja nos televisores em exposição, mesmo os que estão usando algum vídeo de demonstração em alta definição, as diferenças nas cores (especialmente a incapacidade de o preto ser, efetivamente, preto) e os “fantasmas” deixados por imagens muito rápidas.

    enfim, repetindo, não se trata de negar o avanço da tecnologia, trata-se de reconhecer quando este enfim ocorre. pessoas como tu provavelmente teriam cantado loas ao laserdisc na época em que foi lançado, muito embora ele tivesse sérios e óbvios inconvenientes. como todas estas outras tecnologias que estamos falando, era só questão de tempo para estes serem resolvidos. só que durante este tempo, o que aconteceu foi que surgiu uma mídia ainda melhor, e o laserdisc simplesmente nunca vingou.

    e me faz crer que, por exemplo, no caso daqui cinco anos o modelo de IPTV finalmente ser viável, com pessoas podendo baixar vídeos na mesma qualidade de HD-DVD e BluRay sem demora e sem pagar fortunas a um provedor, essas mesmas pessoas já estarão decretando sua morte e enaltecendo algum outro “avanço” tecnológico que, novamente, significa assistir a vídeos de qualidade duvidosa em telas minúsculas.

  • 9 Alexandre Fugita // Apr 2, 2007 at 6:24 am

    Solon,

    Verdade, só peguei pelo lado da qualidade da imagem resultante do sinal analógico dos dias de hoje. Realmente há todo esse problema de fantasmas, atraso, etc com essas telas finas.

    Qto ao Laserdisc nunca acreditei no formato. Acho que qdo tive contato com ele pela primeira vez o DVD já existia (ou pelo menos estavam em guerra tentando criar um formato). Sempre achei o LD um trambolho que para nada serviria. Dito e feito, morreu sei lá qdo…

    Bom, uma coisa que escrevi e vc nem mencionou é o fato de muitas tecnologias diminuírem os custos envolvidos. Máquinas fotográficas digitais não precisam de revelar todas as fotos. Só as que vc quiser, se quiser. Vídeos de baixa qualidade na internet como no YouTube diminuíram drasticamente os custos de distribuição…

    Falou!

  • 10 Solon // Apr 2, 2007 at 6:50 am

    ALEXANDRE: eu ainda tenho sérias restrições quanto à idéia do YouTube como barateador da distribuição de conteúdo em vídeo, mas coisas como o Joost e os cinemas digitais me parecem indiscutíveis em seu potencial de, digamos, democratização da produção audiovisual mundo afora.

    como já comentei antes, não nego de forma alguma os efetivos avanços das novas tecnologias, nem seu potencial. apenas me incomoda a mania de abraçá-las como salvação da lavoura quando ainda estão engatinhando, cheias de problemas. o caso das televisões é exemplar: todos concordam que HDTV é o futuro, e que por questões de tamanho e consumo os tubos de raios catódicos estão fadados à extinção. mas qual será o formato a substitui-lo?

    há coisa de dois anos, blogueiros e especialistas já decretavam a morte do CRT diante dos televisores de plasma. surgiram então os monitores de LCD, e também começou a briga das resoluções (480p, 720p, 1080i, 1080p e aí por diante). plasma tinha problema de “burn in” e era muito caro, enquanto LCD tinha tempos de resposta maiores. qual é a situação hoje? as duas tecnologias ainda têm problemas sérios de fidelidade, e os especialistas vivem brigando sobre qual irá vingar.

    neste meio tempo, eis que surge mais uma tecnologia, que promete ter as vantagens de qualidade de imagem do plasma, com a durabilidade e preço baixo do LCD, que é o tal de SED. que, por enquanto, está só na promessa, porque ninguém conseguiu passar de protótipos para a produção em série. e nos últimos meses, tem gente afirmando que novos desenvolvimentos com LED podem levar a um renascimento das televisões de projeção (DLP).

    ou seja, embora todo mundo seja firme em decretar a morte do CRT, ninguém é capaz de indicar um efetivo substituto para ele, até por saberem que d’um dia para o outro pode surgir uma nova tecnologia que tornará toda essa discussão ultrapassada. e enquanto isso, o pobre tubo de raios catódicos continua tendo, por larga margem, a melhor imagem do mercado.

  • 11 Charles? Que Charles? » Blog Archive » Casamento ainda não consumado // May 8, 2007 at 6:57 pm

    […] Solon esses dias contou que avançamos sem sair do lugar, justamente falando sobre isso. Pois é, eu só sei que um “GMail Desktop Client” faz […]

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