Caveat Emptor

compre por sua própria conta e risco

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maldito fusível

March 16th, 2007 · 6 Comments

Um pouco deprimido por não ter uma máquina capaz de rodar nenhuma versão decente do Vista, há coisa de um mês resolvi dar mais uma chance para o Ubuntu, dessa vez com o Edgy Eft. Instalado o bicho, comecei a apelar para o Ubuntu Starter Guide para suprir minhas necessidades e customizá-lo a contento.

A cada instalação ou configuração, nova surpresa ao ver que o manual apresentava informações úteis e que efetivamente retratavam o comportamento do sistema operacional, algo até então inédito para mim em se tratando do pingüim. Comecei a gostar do Synaptic, por ser uma ótima fonte centralizada de programas. Passei até a usar programas que nunca me agradaram, como gerenciadores de fotos - o F-Spot que, em sua simplicidade, dá um banho no Picasa.

Com a descoberta de que, sob Linux, o Azureus é um programa leve e estável, e que o VLC funcionava melhor que o BS Player, achei que poderia, finalmente, me considerar no último passo pré-conversão total: não consigo viver sem Photoshop. Verdade que outras coisas ainda me incomodavam (Google Reader é um leitor de RSS apenas suportável, o Firefox e o Opera são irritantemente instáveis, e a falta de transparência no Flash torna alguns sites impossíveis de se navegar), mas apenas o Photoshop era realmente inestimável.

Em algum momento ao longo deste mês, depois de me surpreender gostando de usar o F-Spot para gerenciar minhas imagens, resolvi brincar com o Rhythmbox para ver se também passava a gostar de gerenciadores de músicas. Com meus MP3 devidamente guardados em minhas partições NTFS, no entanto, era preciso fazer o Ubuntu ser capaz de modificar arquivos nas ditas cujas, para que eu pudesse mexer em suas etiquetas ID3.

Novamente, apelei ao Starter Guide e ao Ubuntu Forums, segui as instruções e, voilà, tudo funcionando conforme o esperado. Pelo menos até eu fazer update do kernel do Linux, quando minhas partições NTFS deixaram de ser montadas automaticamente ao iniciar o computador.

Lendo coisas de cá e de lá acabei caindo nesta página de suporte do NTFS-3G - o driver em questão - exatamente com o problema que eu estava tendo: o módulo do kernel de um tal de FUSE era deficiente. E foi quando comecei a me sentir de volta nos tempos de Red Hat 6.0, ao me deparar com instruções que partem do pressuposto de que quem as está lendo tem razoável conhecimento de Linux.

Como tanto me acontecia naqueles tempos, segui as instruções e o resultado foi completamente diferente do que nelas estava previsto. Apelei para o Synaptic, encontrei o fuse-module e o fuse-source, instalei os bichos e fui ao manual indicado para descobrir como compilar seu kernel.

O primeiro manual indicado, especificamente do FUSE, novamente não fazia sentido algum. Tentei fazer o que ele dizia, mas aparentemente havia algum programa que deveria estar instalado e não estava. Fuçando mais um pouco, encontrei um manual específico do NTFS-3G sobre como instalar e compilar o tal negócio, dessa vez na linguagem nada técnica comumente utilizada para o Ubuntu.

Segui as instruções, tudo instalou-se como devia e, para completar o carreto era necessário dar um reboot (ou dar um umount em todos os meus drives NTFS, e depois montá-los todos de volta, coisa que me pareceu meio tosca demais). Computador desliga, religa e começa a carregar o Ubuntu, até que eu sou finalmente lembrado do que, pra mim, é a típica sensação de ser um usuário Linux.

Ao tentar carregar o X, nada feito e sou recebido por uma tela de linha de comando oferecendo o log do que havia acontecido. Eu aceito, e facilmente acho o culpado: os drivers da minha placa de vídeo nVidia simplesmente pararam de funcionar, tornando impossível carregar o ambiente gráfico.

Novo reboot, agora carregando a versão anterior do kernel e tudo funciona como deveria. Exceto, claro, a montagem das partições NTFS, pelo mesmo problema com o tal FUSE. Obviamente, o que se espera de mim, agora, é que eu saiba editar e recompilar o kernel a mão, descobrindo onde foi que a instalação do novo módulo deu merda, ou então que simplesmente instale o Ubuntu de novo.

Tudo isso porque eu tinha dado boot no Linux sem querer, e precisava acessar um arquivo .TXT que estava em uma das partições NTFS. Ao invés de dar um reboot e voltar para o Windows, achei que era hora de descobrir porque o que antes funcionava tão bem tinha subitamente parado de fazê-lo. E agora, mais uma vez, tenho uma instalação de Linux que não serve pra nada.

E os evangelistas do open source não entendem por que Windows é tão popular.

Tags: geek

6 responses so far ↓

  • 1 Cachopa // Mar 16, 2007 at 10:05 am

    Se Linux fosse fácil ou barato o Windows não teria passado do 98.

  • 2 Rafael Arcanjo // Mar 16, 2007 at 11:12 am

    Cachopa,

    Mas o linux não é caro…

    Solon,

    Prepare-se para receber 200 mensagens de ofensa. Tocou em um assunto proibido. hehehe

    Falando sério, eu concordo plenamente com você. As vezes a coisa ser aberta (opa!) é ruim, porque você precisa resolver as coisas por si só. Tem muito material na net, mas você queria apenas acessar um arquivo txt e teve que fazer esta acrobacia toda. E você ainda foi paciente. Um usuário comum simplesmente teria ido na loja no outro dia e pedido pra instalar o windows. Pirata, obviamente.

    []’s

    Rafael Arcanjo
    Arcanjo.org
    Imperador.org

  • 3 Cachopa // Mar 16, 2007 at 4:16 pm

    http://technology.guardian.co.uk/weekly/story/0,,2028343,00.html

    “The less obvious problem is the very high cost of Linux support, especially when selling cheap PCs to naïve users who don’t RTFM (read the friendly manual) and wouldn’t understand a Linux manual if they tried.”

  • 4 reprise at Caveat Emptor // Apr 24, 2007 at 5:32 am

    […] operacional, e resolvi testar. Para quem não se lembra, foi tentando fazer coisa parecida que praticamente inutilizei minha instalação anterior. Como naquela vez, segui os passos indicados no tutorial e, voilà: […]

  • 5 Fredy67 // Apr 9, 2008 at 5:13 am

    Caríssimo, nu ubuntu você te o gimp, que é igual ao photoshop.
    Para ver drives em formato ntfs, tente procurar ajuda sobre montagem de drives. Tem de fazer manualmente sempre que precisa, mas é melhor do que estar com um computador com software pirata, que funciona mal, que pendura, que arrasta o computador. Como você mesmo disse o software é mais rápido no ubuntu.
    Tem mais, experimente os fóruns de ajuda do ubuntu, assim como o ubuntu wiki.
    Outra dica, antes de instalar qualquer software no ubuntu, vá ao sinaptic e veja se tem lá, porque se tiver a instalação é limpa.
    Espero ter ajudado e boa sorte.

  • 6 Solon // Apr 9, 2008 at 8:47 am

    FREDY: desculpe, mas quem diz que Gimp e Photoshop são a mesma coisa é porque nunca teve que lidar com o horroroso (ou, à época desse post, inexistente) gerenciamento de cores do Gimp. muitos filtros também deixam bastante a desejar, além de a interface ser completamente não intuitiva.

    quanto aos drives NTFS, hoje em dia basta usar algum Ubuntu um pouco mais moderno (6.06 LTS, 7.10 ou 8.04), em que isto funciona out-of-the-box. mas, na época em que este post foi escrito, eu tinha lido Ubuntu Guide, inúmeros posts em fóruns e blogs, antes de me aventurar a fazer o teste.

    e nem Synaptic nem Aptitude teriam resolvido o problema.

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