A Linden Labs divulgou novos números da economia, população e geografia de Second Life. Ainda estou esperando as opiniões de gente como Clay Shirky ou o pessoal do Terra Nova sobre a confiabilidade de alguns deles, mas enquanto isto algo me ocorreu.
A primeira vez que entrei em Second Life foi em 2005, quando ainda se podia ter certeza de ser recebido por usuários mais antigos dispostos a servir de guias para os recém-chegados. Depois disso, passei coisa de um ano antes de voltar ao mundo, com um novo avatar, no final do ano passado. Depois de duas semanas angariando material para uma matéria, também nunca mais utilizei o bicho. No entanto, garanto que as informações de meus dois avatares ainda estão guardadas em algum servidor, e ambos são contabilizados nestas contagens demográficas.
O que me leva a duas outras considerações em relação ao estado da web atualmente. Primeiro, a dificuldade de se conseguir cancelar a conta em algum serviço online. Recentemente, me peguei a testar o Blue Dot, um del.icio.us mais bonitinho. Depois de alguns dias, descobri que o serviço não era bem o que eu esperava, e que sentia falta de algumas funcionalidades. Resolvi, assim, cancelar minha conta (gratuita, mas ainda assim) e acabei descobrindo que o único modo de fazê-lo era mandando um e-mail para a assistência do dito cujo, e depois confirmando a eles a minha intenção de ser descadastrado.
Diretamente relacionado a isso, algo que me incomoda há algum tempo e em que pensei bastante nos dias posteriores à morte do Gabriel, é a questão dos perfis de pessoas falecidas. Entendo, por exemplo, que o blog e o Flickr do Gabriel sejam mantidos como testamento de sua produção. Mas não há razão para poder entrar em seu perfil no Last.fm e saber quais foram as últimas músicas que ouviu em seu Mac antes do acidente, ou mesmo de acessar seu perfil no Orkut para deixar mensagens póstumas, como se a Google pudesse enviá-las aos céus. Tenho adiado por pura preguiça, mas pretendo deixar um arquivo em algum lugar da web, que várias pessoas conheçam e tenham acesso, com todos os serviços de que faço parte, as senhas de acesso e como sumir com meus perfis no caso de algo me acontecer.
O que me leva de volta ao Second Life. Entendo que empresas como a Google não tenham interesse algum de deletar um perfil depois de determinado tempo de inatividade, porque as informações lá contidas lhe são interessantes em sua sede de coletar estatísticas, e ocupam muito pouco espaço em seus servidores. Por outro lado, no caso de algo como Second Life, acho que deveria haver uma previsão, como no mundo real, de que depois de um tempo um avatar seja dado por “desaparecido” e não entre mais em estatísticas de usuários do programa. Seria uma maneira de acabar com muito do exagero nos números de “residentes”, além de me parecer uma prática deveras saudável em algo que se propõe a ser uma “segunda vida”.
3 responses so far ↓
1 Rafael Arcanjo // Feb 12, 2007 at 8:13 pm
Este assunto da “morte virtual” é deveras complicado. Sou a favor de se ter um prazo de “expiração”. Não logou por 2 meses, corta a cabeça, ou sendo bonzinho, deixa inativo o login para as estatisticas. Porém, não sei se é bem o que este pessoal quer. Eles querem é números. Quanto mais, melhor!
2 Solon // Feb 12, 2007 at 11:06 pm
ARCANJO: também acho que o que eles querem é números. mas se essa mania de inflar números começasse a ser questionada pela imprensa em geral, e os usuários começassem a pedir esse prazo de expiração, de repente eles mudavam de atitude. podiam ter estatísticas separadas para “usuários ativos” e “usuários únicos cadastrados”.
outra boa razão pra isso que eu tava me lembrando são serviços que usam teu login a partir do e-mail. se tu parar de usar o serviço por muito tempo, e resolver utilizá-lo depois de novo e não lembrar da senha, pode passar um senhor trabalho pra conseguir reativar o perfil, quando seria muito mais fácil que o dito cujo tivesse sido jogado no lixo e tu pudesse, simplesmente, criar um novo.
3 Vicente // Feb 16, 2007 at 1:47 pm
Pra ti Solon, se quiseres te prevenir: http://www.thelastemail.com/
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