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teclado ou controle remoto?

February 10th, 2007 · 3 Comments

Alexandre Fugita, no Techbits, está com um belo post de primeiras impressões do Joost. Para quem se interessa sobre o possível futuro da distribuição de conteúdo pela rede, é uma ótima pedida. Mas como é de praxe, não compartilho de todo este entusiasmo sobre o potencial revolucionário da tecnologia.

E também não estou sozinho em meu ceticismo. Mark Cuban, por exemplo, tem chamado atenção para a incompatibilidade da maneira com que a internet está estruturada e as necessidades em utilizá-la para a transmissão de vídeo:

If someday the internet can support live delivery of 1mbs unicast streams, the cost will be prohibitive (every live stream requires a direct stream from source to end viewer), It adds up very fast. 1 stream per person. X number of streams per server. All the routing and internal backbone equipment to get it on the net. All the monitoring equipment to make sure it gets to the viewer in some semblance of decent quality. All the people to make sure that all works. Thats big bandwidth and overhead and hosting costs.

E isso é falando de transmissões ao vivo (o verdadeiro streaming, ao contrário daquele em que se faz o download do arquivo para a máquina para depois assisti-lo, como no YouTube) em definição comum. Se começarmos a imaginar o que seria necessário para transmitir vídeo em alta definição, a coisa fica ainda mais complicada.

Tá, mas o Mark Cuban é um notório ranzinza, além de ser dono de uma empresa que vende transmissão de vídeos em alta definição para usuários de televisão a cabo. Mas e se a Google disser coisa parecida?

“The Web infrastructure, and even Google’s [infrastructure] doesn’t scale. It’s not going to offer the quality of service that consumers expect,” Vincent Dureau, Google’s head of TV technology, said at the Cable Europe Congress.

Isto, claro, não quer dizer que o Joost não seja algo muito interessante e digno de se prestar atenção, especialmente considerando os responsáveis por trás dele. Afinal de contas, como comenta a matéria acima, estima-se que 60% do tráfego na internet, atualmente, seja de programas P2P, transferindo música, vídeos e programas televisivos. O que, pra mim, parece mais do que prova de que há um público razoável de pessoas dispostas a utilizar o computador para, por exemplo, baixar filmes e séries televisivas on-demand.

Mas, para mim, este é mais um caso em que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Se a rede se presta muito à distribuição de conteúdo on-demand (e os problemas de “prender o computador” e ter que ligá-lo à televisão são, esses sim, muito fáceis de resolver), toda a rede de transmissão televisiva se presta muito mais à transmissão ao vivo e mesmo à distribuição de produtos muito populares - quer dizer, é muito mais fácil utilizar algo como o TiVo para gravar o próximo episódio de Heroes do que passar horas a baixá-lo pelo BitTorrent.

Tags: televisão · trends

3 responses so far ↓

  • 1 Alexandre Fugita // Feb 10, 2007 at 2:28 am

    Olá Solon!

    Décadas atrás um tal de Thomas Malthus previu que a população iria crescer em um ritmo mais rápido que a capacidade da humanidade de produzir alimentos. Para a época pareceu uma previsão plausível, só que Malthus não contava que a tecnologia de produção de comida iria suplantar esses problemas e na verdade quem cresceu mais foi a quantidade de alimentos disponíveis.

    Se amanhã todo mundo começar a usar intensamente a internet para troca frenética de arquivos de mídia gigantescos, certamente ocorrerá um colapso. Mas em um futuro nada distante muita coisa deve mudar, a tecnologia evoluir e os gargalos de hoje talvez não existirão. Tento equilibrar o ceticismo com o entusiasmo e no final chego à conclusão que sim, tudo isso será possível. Se for amanhã, colapso. Mas se for daqui alguns anos tudo funcionará sem muitos problemas.

    Falou!

  • 2 Alexandre Fugita // Feb 10, 2007 at 7:40 am

    Opa!

    Sobre o que o Google disse:

    Google: Web is OK for TV (despite what you may have read)

    Does Google really think the Internet, as well as its own infrastructure, isn’t up to the task of delivering Web TV? That’s the impression you might have been left with had you read any permutations of a Reuters story out of Amsterdam from a couple days ago1, which claimed that a Google exec said those very things.

    (…)

    So let us do the honors. Turns out — as we suspected — there were a few points lost in translation, at least according to Googlers we spoke to.

    (…)

    Google’s infrastructure scales just fine, they said, and there is no problem watching TV on the Web. Despite what you may have read.

    (…)

    via GigaOm:
    http://gigaom.com/2007/02/09/google-web-is-ok-for-tv-despite-what-you-may-have-read/

  • 3 Solon // Feb 10, 2007 at 1:47 pm

    ALEXANDRE: “Se amanhã todo mundo começar a usar intensamente a internet para troca frenética de arquivos de mídia gigantescos, certamente ocorrerá um colapso. Mas em um futuro nada distante muita coisa deve mudar”. sim, e de repente amanhã alguém descobre uma solução para o aquecimento global, heh. mas até lá, a gente tem que lidar com a realidade.

    mas interessante a história da Google. ADENDO: mas o ponto do Cuban permanece, e mesmo a declaração do Durant permanece. a Google diz que sua tecnologia pode “escalar” se ela tivesse como fazer a transmissão de Mountain View direto para a casa das pessoas, mas isso seria mais ou menos o mesmo caso do que acontece atualmente com as empresas de cabo. eles não iam estar fazendo transmissões abertas “via web” ou “via internet”, estariam criando uma rede privada, ponto a ponto, única e exclusivamente para distribuir televisão.

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