A esta altura, qualquer pessoa minimamente interessada no assunto já leu a carta de Steve Jobs sobre o futuro da música digital - minha opinião pode ser conferida nos comentários do Techbits. O interessante, no entanto, como aconteceu quando Bill Gates expressou opinião semelhante, é o tipo de reação que isto força do mercado.
Por exemplo, a resposta de Michael Robertson, presidente da Linspire, sobre como Steve Jobs poderia demonstrar com ações a seriedade de seus argumentos. Em resumo, ele pede o que tantos já pediram: abrir mão do monopólio iTunes + iPod. Seja vendendo músicas em MP3 na iTunes Store (que, portanto, poderiam ser tocadas em qualquer outro player), abrindo o banco de dados utilizado pelo iPod (permitindo que se use outros programas que não o iTunes para acessá-lo) ou permitindo que outras lojas possam vender músicas que funcionem em seu player. Tudo isso, obviamente, trata-se de proteções colocadas pela própria Apple para evitar a concorrência e nada têm a ver com o uso de DRM para proteção de direitos autorais.
Mas como alguém que gostaria de ver Steve Jobs voltar a ser vítima de sua própria arrogância, a notícia de que a EMI está cogitando vender todo seu acervo digital em MP3 sem DRM, para competir com a iTunes Store, é ainda mais música para os meus ouvidos. Até porque se a empresa resolve fazer isso, não seria de se estranhar que outras gigantes do entretenimento seguissem logo atrás, e o loxinha do Salim a iTunes Store se tornasse imediatamente obsoleta. A ver.
2 responses so far ↓
1 Alexandre Fugita // Feb 9, 2007 at 6:31 pm
Fiquei imaginando agora que o Jobs, por estar nesta indústria, sabia desses rumores da EMI e se antecipou pra ficar de bem com o público. Muita coincidência três dias depois da carta dele aparecerem rumores sobre músicas sem DRM de uma grande gravadora. Concluindo, o Jobs continua mestre em marketing, com ressalvas.
Falou!
2 Solon // Feb 9, 2007 at 8:58 pm
ALEXANDRE: a principal razão para a carta me parece, nitidamente, tentar se fazer de vítima para os governos europeus que têm processado a empresa por não licenciar o FairPlay. não acho que seja nenhuma grande jogada de marketing, pelo contrário, me parece uma atitude meio desesperada de tentar lavar as mãos no caso de a Apple se sair mal nessa história.
quanto a segundas intenções, aí dá pra imaginar de tudo. já vi gente dizendo que ele, na verdade, está tentando pressionar os grandes estúdios a repensarem os contratos de direitos para que ele possa vender as músicas através de algum serviço wireless no iPhone. mas eu acho que, neste caso, isso é mais coisa de ser vítima da mística (absolutamente equivocada, a julgar pelo histórico da Apple e NeXT) de que tudo que o Jobs faz é sempre uma grande jogada de mestre.
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