Caveat Emptor

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um passo adiante

February 1st, 2007 · No Comments

Com o lançamento do Vista, o Ars Technica ressuscitou a notícia do pedido de patente apresentado pela Microsoft em 2005, relacionado a um “sistema operacional modular”. Como era de se esperar, os comentários sobre a notícia no Digg foram majoritariamente negativos - embora notícia similar sobre a mesma patente tenha sido recebida com menos ceticismo há pouco mais de um mês.

É um caso bem interessante de como a empresa de Redmond tem que lidar com uma espécie de antítese do fanboyismo que cerca tudo relacionado à Apple. Há um fundo de razão nas reclamações e, principalmente, nas preocupações dos comentaristas, mas parece faltar-lhes uma boa dose de bom senso. Se o tivessem, veriam que é bem mais provável que isto seja um avanço em relação ao sistema operacional.

A única coisa que realmente me preocupa neste caso é saber se a empresa pretende realmente criar um kernel básico ao qual adicionar novidades, ou se pensa apenas em vender ativações que liberem funcionalidades que já estão lá. Não vejo razão para escolher a segunda, já que facilitaria a vida dos piratas e acabaria com a vantagem de ter um código simplificado e higienizado. Quer dizer, vejo uma: trata-se da Microsoft.

Mas mesmo que não houvesse a vantagem de um sistema operacional mais leve, acho que o método ainda seria uma evolução em relação aos confusos seis sabores de Windows que existem hoje. A principal crítica dos usuários do Digg parece ser a de que o tal sistema como descrito pela Microsoft em seu pedido de patente já existe em sistemas operacionais que tenham microkernel - e que lembra até distribuições Linux ou o gerenciador de updates do Mac OS X. Assim, a empresa estaria querendo patentear algo que já existe.

O que todos estes críticos se esquecem é que, se este for o caso, o pedido não será aceito. O que, na verdade, deve ser a intenção da Microsoft: garantir que este tipo de sistema operacional e a distribuição de seus módulos são algo que não pode ser patenteado, evitando que outra empresa possa tentar fazer a mesma coisa no futuro e cobrá-la por seu uso (ver DUALSHOCK, Sony).

A preocupação com a idéia de que isto será usado pela Microsoft para ganhar mais dinheiro às custas dos usuários, cobrando caro pelo conteúdo extra e levando quem quiser ter todas as funcionalidades possíveis a pagar uma fortuna, também não me parece proceder.

Primeiro, porque o Vista já está sendo considerado um roubo, e a empresa sabe muito bem que esta questão não está ajudando sua concorrente Sony a vender videogames. E se as recentes versões do sistema operacional podem servir de indicação, não há razão para imaginar que uma full edition ou coisa parecida não será vendida, com todas estas opções, por um preço menor do que comprá-las todas ao longo do tempo. No fim das contas, seria um sistema parecido com o que acontece hoje com as versões comerciais do Red Hat Linux.

Por outro lado, qual é o usuário de Windows que não gosta de reclamar da inutilidade de boa parte dos penduricalhos que vêm com o sistema operacional? Não acredito que eu seja o único que gostaria da opção de poder ter uma versão básica do bicho, à qual se pudesse adicionar apenas o absolutamente essencial à sua utilização, evitando a instalação de uma série de codecs, protocolos, drivers e programas inúteis, do mesmo jeito que se pode fazer atualmente com o Linux, mas sem precisar de um Ph.D em TI para isso (ou pelo menos sem ter que saber como utilizar o comando make e recompilar o kernel).

Tags: geek

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