Como leitor e usuário, com o passar do tempo fui me tornando cada vez mais avesso à poluição desnecessária em sites. Se dois sites me oferecem conteúdo semelhante, vou sempre optar por aquele que o faz criando o mínimo de obstáculos à minha leitura. Curiosamente, hoje parece existir uma tendência na rede - em especial na tal blogosfera - por encher estes sites com o maior número de penduricalhos possível, dificultando ao máximo a vida do leitor.
O mais antigo sintoma deste problema é, sem dúvida, o dos blogrolls intermináveis. Era algo que eu entendia há coisa de três ou quatro anos, antes do advento de sites como del.icio.us para gerenciar favoritos ou do RSS para acompanhar sites e blogs. Tratava-se muito mais de uma ajuda para o próprio autor do que para os leitores, cujo interesse era mais voltado para o conteúdo de notícias e posts.
Mas em tempos recentes, este tipo de praga tem se deslocado de barras laterais para dentro do próprio conteúdo. O exemplo mais clássico, creio, é o de colocar propagandas dentro do post ou da notícia. Especialmente quando o site utiliza a mesma fonte da propaganda, o resultado é uma poluição visual profundamente irritante, que seguidamente me faz simplesmente desistir da leitura. Pra piorar, só quando o dono do site reclama do leitor que não clica nas propagandas para ajudá-lo.
Depois vieram os ícones no início ou final dos posts e notícias, permitindo que estes fossem rapidamente adicionados a uma miríade de serviços de “web 2.0″, como Digg, Reddit, Technorati, del.icio.us, Sphere e o raio que o parta. Isso quando o cidadão não resolve colocar aquele quadradinho que mostra quantos votos um determinado artigo recebeu no Digg. Como no caso das propagandas, a impressão que fico é de que o autor está mais preocupado em ter seu site difundido e receber o maior número de hits possível do que efetivamente em criar algo que interesse seu leitor.
Agora, o ataque chegou aos links. Quem já não viu algum site com aquele insuportável widget do MyBlogLog que informa quais os links foram mais clicados em um determinado período? Como leitor, acho este tipo de estatística absolutamente inútil, além de que fico profundamente irritado com a maneira como aquilo atrapalha a leitura do resto de um artigo.
Outra artimanha é a de colocar ícones que identifiquem os links externos, como acontece na Wikipedia. No caso de um artigo desta, a quantidade de links externos costuma ser mínima e o método acaba funcionando como uma espécie de nota de rodapé. No entanto, quando se trata de um site repleto de links externos, o resultado é mais uma vez a poluição e desnecessária complicação da leitura. Isto quando os ícones não são específicos, como a utilização de um “W” ao lado de links para a Wikipédia. Por deus, eu sou capaz de passar o mouse sobre o link para ver aonde ele me leva, além de que se estou lendo um site eu confio em seu autor para que esteja me indicando links úteis.
E a última arma daqueles que querem encher seu site ou blog de frescuras absolutamente irrelevantes à qualidade de seu conteúdo é o Snap Preview Anywhere, que ao passar o mouse sobre um link abre uma janelinha semelhante a um balão de história em quadrinhos com a prévia do site linkado. Neste caso, além de poluir o template e dificultar a leitura, a invenção ainda dificulta um pouco mais a vida do usuário porque seguidamente demora para carregar e força a pessoa a clicar diversas vezes em um link para que ele acabe funcionando. Não por acaso, o brinquedinho atraiu críticas pesadas por parte de gente como Dave Winer e Nick Wilson.
Confesso que, como comenta o Nick Wilson, eu já pensei em utilizar algumas dessas coisas. Sou um geek, afinal de contas, e este é o tipo de bobagens que me interessam. Mas ao pensar melhor no que isso significa para os poucos leitores que consegui angariar ao longo dos tempos, acabo sempre decidindo que é melhor dar a eles aquilo que eu gosto de ver em um site: simplicidade e o mínimo de complicações à leitura possível. E deixo aqui meu apelo para que, se algum destes leitores também tiver um blog com várias ou todas as coisas aqui citadas, que pense melhor na relação com seu leitor e no que é que realmente tem a oferecê-lo.
UPDATE: no caso do Snap, pelo menos há uma maneira oficial e elegante de desabilitá-lo. Fico feliz de saber que os responsáveis pelo programinha tenham se dado conta de que usuários poderiam não gostar da idéia, e decidido lhes dar a opção de desabilitar o dito cujo. Aprendeu, Google? (via Download Squad).
2 responses so far ↓
1 Varda // Feb 2, 2007 at 3:54 pm
é mesmo, é uma poluição danada, concordo contigo.
sobre o snap, usei, mas sempre me perguntei se realmente era útil pra alguém, depois de ler isso, fiquei até com vergonha e tirei. :P
2 Alexandre Fugita // Feb 3, 2007 at 4:14 pm
Solon,
Também gosto de simplicidade mas implantei ferramentas como adicionar ao Rec6 e delicious pois percebi que muitos leitores do Techbits fazem uso desses serviços.
Qto a anúncios, tento ser minimalista e não inserir no meio do conteúdo. Mas quem vem de mecanismos de busca é brindado com um adsense no meio do texto.
A informação é importante mas um ou outro recurso não faz mal.
Até!
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