Parece que o Paulo, um dos baluartes da blogosfera conservadora brasileira - acabo de elege-lo por ser o alvo predileto do blogueiro previamente conhecido como Smart -, é mais um a finalmente fazer a transição do negar o problema do aquecimento global para a posição mais razoável de dizer que não parece haver nada que possamos ou devamos fazer sobre ele. De fato, se para evitar que o mundo passe por uma longa recessão que nos levará de volta às condições do século XIX é preciso que voltemos a viver como no século XIX, parece muito mais lógico continuarmos a incentivar o avanço tecnológico na esperança de que alguma solução apareça pelo meio do caminho.
Por exemplo, com convincentes argumentos de que a reciclagem de lixo só piora o problema, coisas deste tipo são empolgantes:
Um artigo na Technology Review destaca um novo sistema desenvolvido originalmente por pesquisadores no MIT e no Batelle Pacific Northwest National Labs e comercializado por uma empresa chamada Integral Environmental Tecnhologies (IET) que ao invés [da incineração] utiliza temperaturas extremamente altas para vaporizar o lixo, assim eliminando as emissões danosas da equação. Este processo, chamado de processamento de lixo baseado em plasma, produz um gás chamado “syngas” composto de hidrogênio e monóxido de carbono. O sistema proprietário da IET foi batizado de “Plasma Enhanced Melter” [algo como “Derretedor Plasma-intensificado”, que parece saído diretamente de uma história do Homem-Aranha ou coisa que o valha].
O método transforma lixo urbano e biomassa de fazendas em etanol e metanol sem emitir grandes quantidades de gás carbônico, e segundo um dos fundadores da empresa poderia substituir até um quarto da gasolina utilizada nos EUA. Outra notícia ainda mais interessante - mais fantástica e difícil de acreditar -, também da Technology Review, é a de novas descobertas na área de carros elétricos:
A companhia afirma audaciosamente que o sistema, uma espécie de híbrido de bateria-ultracapacitor baseado no pó de titanato de bário, será muitíssimo mais eficiente que as melhores baterias de íons de lítio atualmente no mercado em termos de densidade de energia, preço, tempo de carga e segurança. Grama por grama, também terá 10 vezes a potência de baterias de chumbo-ácido pela metade do preço e sem a necessidade de materiais ou químicos tóxicos, segundo a companhia.
Eu já fui extremamente cético quanto a carros elétricos ou híbridos que sejam carregados na tomada, mas as contínuas pesquisas para a criação de bons carros que utilizem energia elétrica e a idéia de que eles possam servir para regular e baratear a produção desta energia, me fizeram repensar esta posição. Especialmente com o ressurgimento do interesse mundial pelo uso de energia nuclear - outra área que tem muito a ganhar quanto mais gente se preocupar com o problema do aquecimento global -, ligar o carro na tomada passa a ser uma idéia cada vez mais atrativa.
Como o buraco da camada de ozônio na década de 80, ou o Y2K no final dos anos 90, nesse ritmo o aquecimento global pode acabar sendo mais um caso de vitória da engenhosidade humana (e da economia de mercado, mas melhor não incentivar esse tipo de discussão por aqui) engendrada pelo amor de boa parte da sociedade por uma histeria apocalíptica.
3 responses so far ↓
1 Marcus // Jan 25, 2007 at 11:19 am
Dizer que controlar a emissão de gases é “voltar ao século XIX” é um exagero pra lá de hiperbólico, meu caro.
E, pra falar a verdade, acho que essa discussão sobre economia de mercado (que, sei, foge ao escopo deste blog) pode ser muito mais racional do que certas tentativas de ideologizar o debate científico. Por conta de uns certos malucos ultraconservadores norte-americanos (aqui divulgados pelo impagável Olavo de Carvalho), chegamos ao desplante de discutir se cigarro faz mal à saúde, ou se o Design Inteligente é uma teoria científica…
2 Solon // Jan 25, 2007 at 11:35 am
MARCUS: se por controle de emissão de gases entende-se, como o doutor referenciado na matéria que o Paulo linkou, não usar mais carros ou andar de avião, transformar lojas e shopping centers em armazéns, e coisas do tipo, não acho um exagero tão grande.
a equação é bastante simples: se para evitar o retrocesso que PODE vir a ser causado pelo aquecimento global nós temos que instaurar o MESMO retrocesso espontaneamente, então que venha o aquecimento global. e a discussão do cigarro, embora nada tenha a ver com economia de mercado, é algo bastante válido se a questão for o tal de fumante passivo.
3 Paulo // Jan 25, 2007 at 1:25 pm
Eu nunca neguei a influencia humana no global warming. So disse (e continuo dizendo) que atualmente ninguem sabe o que ou quanto do problema a influencia humana esta causando.
E Marcus, leia o artigo la no meu site e veja que de acordo com a teoria atual os EUA por exemplo teriam que cortar emissoes em 90%. O resto vc pode imaginar.
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