Se você é daqueles que gosta de prever a morte de alguma tecnologia, parece que há dois novos candidatos no mercado: mouse e teclado. Especialmente depois do anúncio de um certo telefone celular, o que não falta é alguém para falar sobre a utilização de interfaces com sistemas multi-touch screen.
É certamente impressionante assistir a coisas como esta demonstração de Jeff Han, e ficar imaginando toda uma série de diferentes utilidades e possibilidades para uma tecnologia dessas. Mas, ao contrário dele, eu não vejo razão é para utilizar um teclado virtual em uma tela, sem nenhuma espécie de feedback físico. Do mesmo jeito que muita gente parece reclamar da idéia de não poder discar em um celular sem ter que olhar o que está fazendo.
O sistema demonstrado por Han também tem uma limitação que fica nítida na hora em que ele apresenta o programa de topografia: trata-se de um dispositivo bidimensional, ou seja, na hora de fazer movimentos tridimensionais é necessário inventar algum gesto que mimetize a ação em três dimensões, em cujo caso perde-se um pouco da intuitividade do sistema. Para fazer modelagem de objetos tridimensionais, por exemplo, interfaces físicas como esta, esta ou, principalmente, esta são ainda mais surpreendentes, e todas envolvem dispositivos físicos. Até porque o ideal, neste caso, seria algum método como uma luva com feedback que desse a impressão de estarmos, literalmente, com a mão na massa.
Todas estas novidades e o tipo de aplicações que elas engendram são, de fato, empolgantes. Mas o que me impressiona é a mania de que uma coisa tem que substituir a outra, quando o realmente fantástico é ter as diferentes opções para utilizar naquilo em que se saem melhores. Não vejo a hora de ter um computador com uma interface multi-touch screen - ou pelo menos um celular -, mas para escrever longos textos ou discar um número de telefone, vou continuar preferindo um bom teclado, cujo funcionamento eu possa sentir à ponta dos meus dedos.
Portanto, deixo aqui meu apelo para que jornalistas, blogueiros, formadores de opinião e o raio que o parta contenham seu entusiasmo quando ele lhes levar ao ponto de querer matar alguma tecnologia útil. Não é preciso declarar o fim de uma tecnologia para exultar as qualidades de outra, muito melhor é pensar em como elas se complementarão.
P.S.: parece que o backlash continua.
4 responses so far ↓
1 Alexandre Fugita // Jan 20, 2007 at 11:57 am
Olá Solon!
Tô indo lá correndo escrever um post sobre a morte do teclado e do mouse, hehehehe!
O vídeo do Jeff Han é muito interessante, um protótipo de novas formas de interação. Mais natural, melhor para o usuário. Gostei. Interessante notar que isso era apenas uma nova concepção mas a Apple agora (quer dizer, daqui 6 meses) vai lançar isso para o grande público. Não duvido que universidades e grandes empresas já usem métodos inovadores de interação (acho que a Embraer tem um laboratório virtual de modelagem e a Poli USP tem também seus experimentos). O grande lance da Apple é disponibilizar essas tecnologias para o consumidor final, e isso é genial.
Eu costumo prever morte de tecnologias no blog, isso vc sabe. Mas só qdo encontro substitutos à altura. Claro, a inovação é que dirige o avanço. Sem idéias novas estaríamos ainda na idade da pedra.
2 Techbits // Jan 20, 2007 at 7:25 pm
HD-DVD hackeado: quem se importa?…
Não, não vai ser um artigo dizendo que as mídias físicas estão mortas. Isso eu já escrevi antes. Na semana que passou saiu a notícia de que um filme em HD-DVD foi disponibilizado em BitTorrent. Isso é uma conseqüência do crack disponibilizado…
3 Solon // Jan 21, 2007 at 2:47 am
ALEXANDRE: interface sempre foi a grande força da Apple depois da volta do Steve Jobs, e tem sido o que a mantém como uma força inovadora e com um grande número de usuários mesmo com toda aquela filosofia ridícula de tecnologias proprietárias. o iPhone é o exemplo máximo disso, uma caixa preta, com um “hardware” bem mais ou menos e o preço mais absurdo do mundo, mas com uma interface razoavelmente inovadora. servirá, e muito bem, para que a concorrência se saia com coisa tão boa quanto ou melhor.
quanto a matar tecnologias, a questão é exatamente que o fato de existir um substituto à altura não significa que a tecnologia antiga não continue tendo suas utilidades. tu mesmo acaba de escrever um post em que tu demonstra que o fim das mídias físicas para distribuição de entretenimento não está, assim, tão próxima do fim. ficar decretando morte disso ou daquilo é apenas sensacionalismo (basta ver quantas vezes já disseram que o livro e o papel iam morrer, e se dar conta do absurdo de tal previsão).
4 Alexandre Fugita // Jan 21, 2007 at 4:45 am
Solon,
Sim, o post escrito agora que vc cita dá a entender que mídias físicas vão vingar e que esse negócio de download é furada, como vc já defendeu em outras discussões antes. Ainda acho que as mídias físicas vão morrer, no prazo de 5 anos. Mas por enquanto vamos usando essa tecnologia. Só não sei se vou adotar.
Apesar de achar inviável download de HD-DVD, sou cinéfilo de carteirinha. Vi que vc também é pois de vez em quanto atualiza na barra lateral de seu blog o último filme assistido. Posso dizer que, assistindo filmes no Unibanco, realmente em geral está acima da média.
O iPhone é uma inovação em usabilidade. Tudo lá já existe em PDAs há anos. Resta saber se a interface virará commoditie e todo fabricante terá sua versão (bem provável).
Falou!
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