Embora tenha quase dois anos de idade, esta lista da New Scientist sobre “13 coisas que não fazem sentido” no mundo da ciência continua sendo uma boa demonstração de que é difícil pensar em profissão mais fascinante que a de um cientista. Como ex-aluno da faculdade de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cada vez que leio coisas deste tipo, fico com uma vontade louca de voltar a Viamão para cadeiras de cálculo, física experimental e álgebra linear.
Especialmente porque com a criação de computadores cada vez mais potentes, novos aceleradores de partículas e alguns equipamentos especiais de observação, a astronomia e o estudo da relatividade parecem ter ganhado novo fôlego. Uma das coisas que não faz sentido na lista da New Scientist, por exemplo, é a matéria escura, que seria responsável por cerca de 90% da massa do universo mas ainda não teve sua existência devidamente provada.
A postulação da existência desta matéria, que ninguém sabe o que é, tem resistido a incontáveis experimentos posteriores à sua criação. Mas a idéia de que 90% da massa do universo seja feita de algo que, até hoje, ninguém é capaz de detectar ou explicar deixa vários físicos incomodados. Por isso, há aqueles que buscam teorias alternativas sobre a gravidade, na tentativa de explicar um universo sem matéria escura.
Outro dos mistérios é a energia escura, postulação inventada para tapar um buraco na teoria da relatividade depois que observações demonstraram que o universo segue se expandindo a velocidades cada vez maiores. Enquanto a Nasa publica fotos que demonstram que o universo continuará se expandindo infinitamente, também avista os confins deste e descobre corpos muito diferentes do que jamais se observou antes. E, na verdade, nem mesmo a questão do formato e tamanho do universo parece ser um assunto suficientemente resolvido para os teóricos.
Junte a isso os vários estudos sendo feitos na área da gravitação quântica - com a construção de aparelhos como o LIGO -, e a interminável discussão sobre a validade da teoria das cordas, e nota-se o quanto o campo da física permanece em constante evolução. De minha parte, fico com profunda inveja destas pessoas que dedicam a vida a resolver fenomenais quebra-cabeças, e não consigo imaginar a satisfação ao finalmente resolvê-los.
1 response so far ↓
1 Marcos de Carvalho // Dec 28, 2006 at 4:33 pm
No campo das coisas pequenas (vivas), a biofísica tem contribuído com dados fascinantes em experimentos de molécula isolada utilizando pinças ópticas.
Leave a Comment