Transparência radical. Segundo a definição da Wikipedia, é “um método de gerenciamento onde praticamente toda a tomada de decisões é feita publicamente”. Em resumo, é o conceito por trás de toda a idéia de conteúdo criado por usuários e daquilo que convencionamos chamar de Web 2.0.
Mas se 2006 foi o ano da Web 2.0 - a ponto de a revista Time eleger “vocês” como personalidade do ano -, há bons indÃcios de que 2007 será o ano em que o modelo quebrará a esfera da rede, sendo aplicado a toda uma nova leva de processos de comunicação. Para parafrasear uma folclórica professora da minha faculdade, há ainda uma série de monografias a serem escritas sobre o assunto.
Chris Anderson, por exemplo, depois de utilizar processo semelhante para o processo de pesquisa e edição de seu livro sobre o conceito de cauda longa, resolveu pensar sobre como a transparência radical poderia ser aplicada a reportagens da Wired. Em três posts (aqui, aqui e aqui), ele aborda possÃveis vantagens e desvantagens de os leitores acompanharem e se meterem no processo de criação das matérias. O assunto também é levantado com freqüência no PressThink.
Mas provavelmente em nenhum campo o conceito fará mais jus a seu nome do que no da polÃtica. Hoje em dia, muitos paÃses utilizam ferramentas como o site da Transparência Brasil, onde se tem acesso a todo tipo de informações sobre os feitos dos deputados e senadores do paÃs.
Mas a aplicação da transparência radical à polÃtica, aquilo que um colunista do Futurismic chama de Democracia 2.0, seria o inverso deste processo: não terÃamos informações de terceiros sobre a atuação de nossos legisladores, e sim serÃamos convidados por estes para acompanhar e participar de seu processo de criação de leis. De fato, o método já está sendo testado nos EUA:
Using the model of moreperfect.org, organizers have set up a wiki and divided the research project into four categories—identifying relevant, already-proposed legislation, gathering information and vetting news article about the legislation, suggesting legislative language or rules and suggesting amendments to existing bills.
Assim como o próprio Anderson restringiu os casos e a maneira com que o uso da transparência radical poderia ser útil no processo editorial da Wired, a utilização do ideal na criação de leis também precisaria de limites. Mas confesso que a idéia de tornar mais transparente o todo do processo polÃtico, de obrigar os eleitores a descobrirem que quem deles discorda não são demônios que querem o fim do paÃs, me parece deveras interessante.
2 responses so far ↓
1 Cisco // Dec 18, 2006 at 11:40 pm
Havia um post no Marginal Revolution sobre um assunto relacionado tangencialmente a isso: um site listava, de modo fácil de buscar e comparar, o salário de todos os funcionários e estagiários dos deputados do Congresso Americano. Toda essa informação já era de domÃnio público. Alguns deputados, naturalmente, estavam tentando fechar o site.
O comentário do MR está aqui. O nome do site era Legistorm.
2 » Notícias e links - SINE NAVTA NAVIS // Dec 19, 2006 at 12:29 pm
[…] Solon fala do conceito de transparência radical. Stumble it! […]
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