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maravilhas do capitalismo

November 30th, 2006 · No Comments

Se alguém lhe pedisse para dizer quais nomes vêm à cabeça em se tratando de TV paga no Brasil, o mais provável é que respondesse NET, Sky, DirecTV ou TVA. Há quem não saiba, mas as três primeiras, na verdade, são controladas pelo mesmo grupo, uma parceria entre a Globo e a News Corporation (Rupert Murdoch, Fox News, essa mesma), e são responsáveis por 75% do mercado brasileiro, com 95% da fatia de televisão por satélite.

Pois este grupo, que começou apenas com a NET e aos poucos foi comprando toda a concorrência, agora está esperneando porque finalmente terá que encarar uma competidora de verdade: Telefônica. O grupo de telefonia espanhol, velho conhecido de brasileiros - especialmente dos gaúchos -, se juntou com a TVA e a DTHi para lançar um serviço de televisão por assinatura com preços muito mais em conta do que seus concorrentes que, até agora, gozavam de um quase monopólio.

A NET acusa a Telefônica de dumping, dizendo que os preços que esta cobra em seu novo serviço não cobrem nem seus custos operacionais. No entanto, qualquer pessoa capaz de somar sabe que o furo é bem mais embaixo e a verdadeira briga é por uma área em que a NET tem, efetivamente, um monopólio: o tal de “triple play”, um pacote oferecendo serviços de telefonia, acesso à internet e televisão por assinatura.

Ah, sim, tinha esquecido de comentar que a parte de telefonia da NET, na prática, é da mexicana Telemex, uma das grandes rivais da Telefônica no país e que comprou a parte da Globopar na empresa numa manobra que não deixou a concorrência muito feliz.

O ministério das Comunicações e o Cade, que até hoje não tiveram problema algum em deixar o grupo Globo / News Corp. / Telemex arrendar 75% do mercado de TV paga e criar um monopólio no “triple play”, ameaçam intervir na iniciativa da Telefônica, não só pelo suposto dumping mas por causa das leis que proíbem empresas estrangeiras de controlarem grupos de mídia brasileiros (não é piada, antes fosse). Mas como a Telefônica também não é flor que se cheire, e seu presidente parece ter boas relações com o ministro Hélio Costa, não é demais imaginar que o negócio vai acabar liberado de algum jeito.

De minha parte, fico torcendo para que haja chutes no saco, dedo no olho e facadas pelas costas. Quanto mais essas gigantes se degladiarem, mais terão incentivos para baratear e melhorar a qualidade de seus serviços. E absolutamente todos saem ganhando.

UPDATE: parece que o ministro já baixou a bolinha.

Tags: .br · televisão

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