Recentemente, a revista Variety publicou um obituário do VHS. O texto é bem humorado e tal, mas como bem sabe quem acompanha minimamente este blog, eu não suporto essa mania de colunistas de tecnologia em querer prever a morte de formatos e companhias.
Exemplo: Microsoft? Morta. Bill Gates é o homem mais rico do mundo, o Windows tem quase 90% de market share e o MS Office mais de 95%, e sua diversificação de mercado só tem trazido boas notícias, diante de uma Google cada dia gerando mais propaganda negativa e de um Firefox cada vez mais envolto em problemas (ninguém, em sã consciência, pode dizer que ele é mais estável que o Internet Explorer). Ah, sim, e ninguém é capaz de realmente saber qual o futuro dos sistemas operacionais e desta bolha da web 2.0. Mas a Microsoft está morta.
IBM, Sony, DVD, SDTV, Divx, CD, HD-DVD e Blu-Ray, aplicativos e sistemas operacionais “desktop”, jornais, televisão, rádio, cinema, a lista é longa. O exagero pode chegar ao ponto de prever a morte da mídia física, muito embora seja óbvio que a computação como a conhecemos não possa existir sem a utlização (em quantidades cada vez maiores) de alguma forma de mídia física.
Mas e o que fazer quando se quer muito matar uma tecnologia, mas ela é quase onipresente e tudo indica que será cada vez mais parte indelével de nosso estilo de vida? Ora, sugerir a morte de seu nome, por não ser mais adequado ao seu uso atual. Afinal de contas, não é muito diferente de quem, na ânsia de acabar com a “web 2.0″ (um termo que, por si só, já não significa absolutamente nada), já começa a falar em web 3.0. Quem sabe também não é hora de mudar o nome da rede?
4 responses so far ↓
1 Alexandre Fugita // Nov 28, 2006 at 9:51 am
Bom, que a morte das tecnologias vai acontecer é praticamente um fato. Sempre a tecnologia atual será substituída por outra provavelmente melhor. Só resta saber qdo. O ciclo dos produtos está ficando cada vez mais curto. Novidades hoje podem ser peças de museu amanhã.
Tá certo que eu às vezes exagero “prevendo” a morte de coisas que parecem mais sólidas que diamante. Eu acho que a evolução tecnológica se dá por quebras de paradigmas e algumas coisas podem estar acontecendo exatamente agora e não percebemos.
Eu não acredito que a Microsoft eteja morta. Mas ela tem um problema sério por ser grande demais. Isso dificulta um pouco o andamento das coisas por lá e ela fica com uma imagem de pouco inovadora. A cultura interna deles está mudando e isso é muito bom. Ainda bem que existe a concorrência.
A Google tem um problema diferente. Está crescendo muito rápido. Já foi a queridinha de todos mas hoje esse crescimento faz ela dar algumas pancadas (como a nota que vc aponta) por aí. Dizem por aí, que o Google está agindo da mesma forma que fazia a Microsoft em seus tempos de crescimento acelerado. Se a Microsoft “é do mal”, o Google está se tornando “do mal” também.
Qto às mídias fisicas acho que já discutimos bastante lá no Techbits então vou passar, hehe!
Qto ao termo web 2.0, vou colocar aqui uma coisa que escrevi em um dos meus primeiros posts: “a discussão em torno do nome web 2.0 dá “briga”. O fato é que existem novos serviços na internet e alguém resolveu chamar essa nova onda de web 2.0. O nome pegou e não existe outra forma de se referir a isso.”
Até!
2 Solon // Nov 28, 2006 at 10:29 am
ALEXANDRE: como ávido defensor do conceito de “cauda longa”, você deve concordar comigo que a substituição de uma certa tecnologia pelo mainstream não significa, de maneira alguma, sua morte.
mas, de toda forma, minha bronca é que o crescimento de uma determinada tecnologia não precisa ser inevitavelmente associada à morte de outra. é perfeitamente possível (e, para o meu gosto, mais agradável) falar positivamente sobre o futuro da distribuição digital de entretenimento sem dedicar uma linha sequer a Blu-Ray e HD-DVD, por exemplo.
3 Marcus // Nov 28, 2006 at 11:02 am
Confesso que detesto essa “modinha da web 2.0″.
4 Alexandre Fugita // Nov 28, 2006 at 12:15 pm
Olá Solon!
É verdade, sou ávido defensor da Cauda Longa. Eu não tinha pensado nessas implicações em relação à decadência/ ascensão de tecnologias. Mas como vc pontuou, faz todo o sentido.
Mas na Cauda Longa, uma empresa costuma oferecer vários produtos/ serviços da cauda. Um sistema operacional é um produto só. Junte-se a ele um software de office e já teremos uma maior diversificação… A teoria é aplicável com algumas restrições, talvez.
Algumas tecnologias passadas conseguem conviver com outras. Ainda existe o papel, há os defensores do vinil, etc… Mas se surgem coisas que quebram paradigmas algumas tecnologias somem do mapa. Vamos ver o que vai acontecer…
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