Caveat Emptor

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November 13th, 2006 · 3 Comments

Em minha casa, temos uma televisão widescreen de 32″. No meu quarto, tenho uma velha Trinitron de 21″. Embora seja mais novo do que qualquer uma delas, meu monitor tem apenas 17″, razão pela qual eu nunca me empolguei muito com a história de ficar baixando filmes e séries para assistir nele. O trabalho de ficar carregando o computador dum lado pro outro para conectar na TV, então, sempre foi muito além da minha nerdice.

Mas embora eu sempre tenha preferido esperar um pouco para ver um filme no cinema ou em DVD, ou para que a temporada de uma série estreasse no Brasil, a curiosidade acabou me levando a deixar um pouco da preguiça de lado, ultimamente. Três séries televisivas, mais especificamente, me fizeram apelar à velha e boa superrede de informações para assisti-las antes de suas novas temporadas estrearem por aqui.

Stargate Atlantis
Stargate Atlantis

Continuando a mescla de mitologia e ficção científica iniciada no filme de Roland Emmerich de 1994, o canal Sci-Fi acabou criando um enorme universo, com uma intricada história e diversas raças. Devido à (sábia) decisão de fazer episódios com começo, meio e fim, o arco excessivamente complexo da série original - Stargate SG-1 - sempre resultou, para o meu gosto, em uma ênfase excessiva nas ações militares em detrimento do desenvolvimento dos personagens e de suas histórias.

Provavelmente identificando espectadores com esta mesma opinião, os produtores acabaram criando Stargate: Atlantis. Com uma equipe eminentemente civil, criaram um arco mais “simples” - a defesa da cidade perdida de Atlântida e a eliminação dos Wraith, uma raça de alienígenas que se alimenta da força vital de humanos - e tornaram possíveis episódios mais voltados às relações entre os diferentes habitantes da galáxia de Pegasus em sua busca por eliminar um inimigo em comum.

A segunda temporada, aparentemente, serviu para que a série entrasse de vez nos eixos, dando fim em personagens inúteis e plantando a semente de algumas histórias que ainda devem dar muito pano pra manga. Com isso, a terceira temporada - primeira depois do encerramento de SG-1 - está sendo especialmente interessante, com o surgimento de um novo grande inimigo, acordos entre terráqueos e os Genii, e até mesmo com casos de cooperação da equipe de Atlantis com grupos dissidentes de Wraith.

Verdade que poderia se beneficiar de um orçamento um pouco maior, e que alguns episódios parecem estar lá apenas para preencher espaço na programação. Mas com personagens deveras agradáveis - especialmente o canastrão coronel John Sheppard e o gênio neurótico dr. Rodney McKay -, e um formato que evita que espectadores eventuais fiquem boiando caso percam algum episódio, Stargate: Atlantis é uma ótima pedida para os que gostam de uma série de ficção científica com um arco de história interessante, mas que sabe quando não se levar muito a sério.

House M.D.
House M.D.
Esta continua sendo, para mim, a melhor série da televisão na atualidade. Em sua primeira temporada, como é de praxe, demorou para encontrar seu formato ideal. O que era para ser uma série de “detetives médicos”, desvendando mistérios ao invadir a casa de pacientes e confrontar suas mentiras, acabou precisando se apoiar mais na persona irresistível do amargurado e sarcástico dr. House para se diferenciar da avalanche de séries forenses a assolar a telinha desde o sucesso de CSI.

Já na segunda temporada, no entanto, as coisas entraram nos eixos. Além dos diagnósticos geniais do dr. House, todos os personagens começaram a ter mais profundidade, botar o ego à frente dos colegas, confrontar seus chefes e, até mesmo, ter uma vida pessoal. E parece que a confiança de ter uma série de sucesso nas mãos deixou os produtores e roteiristas começarem esta terceira temporada - se encaminhando para o sétimo episódio - com toda força.

Não vou ficar aqui estragando as surpresas para quem ainda está acompanhando as reprises da temporada passada no Universal Channel. Mas posso garantir a todos que, se ficaram com medo de que ao curar sua perna Greg House fosse ficar um pouco mais sociável, não precisam temer. Também podem esperar para ver alguns de seus pacientes na clínica tendo participações um pouco mais importantes nas histórias do que apenas servirem para ele ter epifanias sobre o que está a afetar seus pacientes mais sérios.

Para quem não conhece, ainda é tempo de comprar ou alugar os DVDs da primeira temporada e acompanhar as reprises da segunda no canal 43 da Net. Aos que, como eu, são fãs confessos, fica difícil não recomendar que apelem para o BitTorrent e baixem os novos episódios.

Heroes
Heroes
Nunca gostei muito de Lost. Assisti a uma meia dúzia de episódios e gostei bastante da maneira com que os personagens eram desenvolvidos, suas histórias se desenrolando em rápidos flashbacks enquanto, como perfeitos desconhecidos, se viam obrigados a sobreviver e conviver perdidos em uma ilha. Mas os mistérios, a mania de, como em um filme do M. Night Shyamalan, deixar o espectador ignorante sobre o arco principal da história, sempre me irritaram.

Na verdade, nunca fui muito fã de séries com um arco muito longo, em que todos os episódios vão se juntando para montar um quebra-cabeças. Primeiro, por ser obrigado a assistir a todos os episódios para entender o que está acontecendo, e segundo pelo eterno medo de que os produtores resolvam ficar enrolando indefinidamente ao invés de terminar a história da maneira adequada. Foi o que sempre imaginei que fosse acontecer com Lost e, pelo que tenho lido, estava certo.

Pois consta que Heroes tem atraído boa parte dos antigos fãs fervorosos de Lost. Não por acaso: a maneira de desenvolver os personagens e a história aos pedaços, pulando de um lado para o outro e criando expectativas é muito parecida. Mas há uma diferença essencial, e que me deixa gostar da série sem medo, que é o fato de sabermos do que se trata a história. Mais do que isso, de uma certa maneira sabemos como ela termina. O tesão é exatamente acompanhar o desenvolvimento destes super-heróis e seus arqui-inimigos até chegar a este fim que vimos no primeiro episódio.

Ainda há a possibilidade de que os produtores caiam na armadilha da “história sem fim”, e a série acabe perdendo o rumo rapidinho. Mas mesmo que aconteça, a julgar pelos sete episódios até o momento, terá valido a pena. Os personagens são interessantes, a maneira com que a história avança é muito boa e a produção é fantástica. A não ser que os roteiristas caiam em algum poço de clichês num futuro próximo (e confesso que a história das tatuagens e das marquinhas nos ombros me deixa um pouco preocupado), imagino que mesmo que a série tenha um fim melancólico à lá Arquivo X, os espectadores terão gostado de assisti-la.

Tags: geek · televisão

3 responses so far ↓

  • 1 Patrick // Nov 15, 2006 at 9:49 pm

    House tá excelente mesmo, a atuação do Laurie é muito boa.
    Uma série que estreou faz pouco e tem mantido um nível muito massa é Dexter, acho que ainda não teve um episódio ruim.
    Minhas preferidas são:

    House
    Dexter
    Lost
    Nip/Tuck
    Heroes

    Abraço

  • 2 Cisco // Nov 16, 2006 at 3:17 pm

    The Office. The. Office. Assiste, homem.

  • 3 Thiago // Nov 18, 2006 at 7:35 am

    Weeds. Mary Louise Parker.

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