Deixa ver se eu entendi direito. Tanto a Aeronáutica - com ajuda das agências de segurança de vôo dos EUA e Canadá - quanto a Polícia Federal estão fazendo investigações paralelas sobre o acidente com o vôo 1907 da Gol, com direito às obrigatórias disputas de beleza e batidas de cabeça. Além disso, os parentes das vítimas contrataram um especialista para conduzir uma reconstituição independente do acidente.
No Mato Grosso, onde caiu o Boeing, a Justiça Federal do Sinop e o Juízo Estadual de Peixoto de Azevedo precisaram de intervenção do STJ para que se decidisse quem julgaria o caso. E agora a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado resolveu promover uma audiência pública, para que representantes das partes e da sociedade civil pudessem discutir o acidente.
A Aeronáutica protege os controladores de vôo e promove um cabo de guerra com a Infraero quanto à contratação de novos profissionais para dar conta do aumento do tráfego no país. O delegado da PF responsável pela investigação reclama que não tem acesso a evidências e que não consegue colher depoimento dos controladores. Estes fazem uma greve branca - e ilegal - para mostrar que a falta de infra-estrutura pode ter sido responsável pelo acidente. Os pilotos do Legacy continuam impedidos de sair do Brasil, enquanto os parentes das vítimas entram com processos nos EUA antes mesmo de alguém analisar a caixa-preta dos aviões.
Será que sou só eu que acho que tem cacique demais pra pouco índio nessa história? No que tange a apuração de como se deu o acidente, pelo menos, continuo confiante no histórico de excelência de DEPV, Cindacta e da Aeronáutica brasileira em geral. Mas que há muita gente nessa história falando demais, brigando demais e agindo de menos, não tenho a menor dúvida.
2 responses so far ↓
1 Nix // Nov 10, 2006 at 5:18 pm
Não é índio demais… é coelho de mais no mato.
Tem coisa aí (ou tinha). Isso tá suspeito demais pra ser apenas um acidente.
2 Solon // Nov 10, 2006 at 5:35 pm
@NIX: eu sou extremamente refratário a teorias da conspiração, heh. até onde eu entendo, é só um problema de a coisa ser muito mal bolada, mesmo.
a investigação da Aeronáutica visa apenas à segurança de vôo. seu papel é determinar o que aconteceu e, se julgar necessário, emitir diretivas sobre mudanças operacionais para evitar que coisa parecida se repita. mudanças no espaço aéreo, nos procedimentos dos controladores, ou mesmo na manutenção das aeronaves, é o tipo de coisa que cabe à Aeronáutica. no máximo, podem decidir por afastar algum controlador se chegarem à conclusão de que houve inépcia por parte deles.
a PF, por outro lado, busca descobrir as responsabilidades pelo acidente a fim de indiciar “culpados”, se houverem. sua preocupação não é com a segurança de vôo, mas com as pessoas que morreram e quem deve ser punido por isso.
a disputa de belezas entre ambos, assim como entre o Judiciário mato-grossense, me parece mais do que normal. são entidades diferentes, em um caso de muita visibilidade, pisando um nos calos dos outros ao investigar a mesma coisa. nada mais é que a velha e boa política.
por fim, os parentes das vítimas estão sendo precipitados e paranóicos como sói acontecer em um caso desses, ainda mais considerando que a outra aeronave era norte-americana e tanta gente faz questão de transformar isso em caso de conspiração. além de pouco espertos, ao meu ver, em processar a empresa antes de haver um laudo sobre o acidente.
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