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October 12th, 2006 · 9 Comments

Pergunte por aí qual o produto Microsoft com o maior market share em sua área, e tenho certeza que a maioria das pessoas responderá “Windows”. Os minimamente antenados, ou que pararem para pensar um segundo, vão se dar conta que a resposta correta é “Office”, que beira os 100% de instalação em máquinas Windows e Mac.

Assim, é impossível que o pessoal em Redmond não esteja acompanhando com muita atenção o número cada vez maior de serviços como Google Docs & Spreadsheets, Zoho, Preezo et al. Pois ontem, depois do anúncio do novo combo da Google, o vice-presidente da Microsoft, Antoine Leblond, comentou esta tendência do “office online”:

“The future of software is going to be the combination of client applications [like Office] and [online] services,” Leblond said. “It’s not going to be one or the other — the black or white approach.”

Obviamente, a declaração foi recebida com paus e pedras no Digg, mas eu concordo plenamente com a opinião de Leblond, pelo menos pelos próximos anos. Mesmo com as maravilhas que AJAX e outras tecnologias permitem, um serviço rodando dentro de um browser continua sendo bastante lmitado.

Primeiro, por questões de velocidade, embora isso tenda a se resolver em breve, com o avanço em termos de velocidades de acesso à rede e o preço cada vez mais barato da memória para computador. Mas segundo, e aí está o problema, porque o browser como o conhecemos não se presta a rodar programas complexos como um editor de texto com a mesma presteza e riqueza de funcionalidades de um programa nativo ao sistema operacional.

Basta pensar no fato de que num programa online, por exemplo, não existe a possibilidade de usar o botão direito do mouse (pois ele irá abrir menus de funções relacionadas ao browser e não ao serviço que se está usando). Por outro lado, estas limitações obrigam os programadores a criarem produtos minimamente enxutos, menos impactantes ao computador.

Tudo isso, claro, pode não ser um problema dentro de quatro a cinco anos. A Google pode, por exemplo, estabelecer uma parceria com a Mozilla para desenvolver novas funcionalidades em seus browsers que permitam rodar aplicativos mais complexos e funcionais. Mais e mais gente tende a usar serviços de internet dedicada, e esta tende a ficar cada vez mais rápida e estável, permitindo que possamos confiar que teremos acesso ao programa online sempre que necessário.

Mas, por ora, a política da Microsoft me parece a mais inteligente para uma empresa de seu tamanho e que já tem um domínio completo do mercado. É muito mais interessante que trabalhem para modernizar o Office e torná-lo mais eficiente, implementando funcionalidades online como a edição de documentos em colaboração, mas garantindo que o programa faça pleno uso do sistema operacional e possa funcionar mesmo quando não há conexão com a internet.

Tags: geek

9 responses so far ↓

  • 1 Rafael Arcanjo // Oct 12, 2006 at 2:16 pm

    “Basta pensar no fato de que num programa online, por exemplo, não existe a possibilidade de usar o botão direito do mouse (pois ele irá abrir menus de funções relacionadas ao browser e não ao serviço que se está usando).”

    Não é bem assim, tente usar o windows live mail e verá que já é possível este recurso.

  • 2 Cachopa // Oct 12, 2006 at 3:51 pm

    eu ia dizer a mesma coisa… olha aí um screenshot do menu do botão direito no novo email do yahoo:
    http://i2.photobucket.com/albums/y19/rsirangelo/dir.jpg

  • 3 Solon // Oct 12, 2006 at 8:45 pm

    maravilha, uma limitação a menos. e só confirma minha boa impressão inicial sobre o novo cliente do Yahoo!.

  • 4 Alexandre Fugita // Oct 13, 2006 at 6:10 pm

    Eu li também essa declaração do VP da Microsoft. É verdade o que ele diz. Um web service tem limitações de complexidade. Mas, eu sempre questiono, quem usa mais do que 10% dos recursos do Word/ Excel? Eu lembro que vc, Solon, achou estranho eu ter comparado o Spreadsheets com o Excel. Eu, vc, e mais meia dúzia devem usar recursos avançados no Excel. A maioria só sabe colocar números e uma parte sabe fazer referências simples…

    Fora o fato de que essas soluções aparentemente são gratuitas para um usuário comum, sendo cobradas apenas de empresas, o que reduz o custo de aquisição (não de treinamento) para o uso.

  • 5 Solon // Oct 13, 2006 at 7:28 pm

    ALEXANDRE: boa parte das limitações de atualmente afetam, creio, 90% das pessoas que vierem a utilizar o serviço. no Spreadsheets, é impossível imprimir a tabela diretamente. em outros serviços, se está preso ao gerenciador de impressão do browser, que é extremamente limitado.
       
    o Writely não tem um contador de caracteres que preste, nem permite que se numere as páginas normalmente. o Spreadsheets não permite que se crie gráficos a partir das tabelas, não faz zoom in/out das mesmas, e não tem suporte ao botão direito (ou seja, nada de controles específicos das células sem ser por menu).
       
    tem, ainda, o problema de que se tu estiver sem acesso à rede (seja porque o serviço é uma merda, seja porque você está em um notebook sem WiFi - ou não tem um router WiFi em casa e o cabo não chega onde você quer), é impossível utilizá-lo. isso tudo sem falar na questão da privacidade.
       
    não estou dizendo que esses problemas não possam ser resolvidos ou minimizados muito rapidamente. só digo que, por ora, este tipo de serviço só serve para tarefas básicas, quando se está em um computador sem o Office ou seu programa de escolha.

  • 6 Alexandre Fugita // Oct 13, 2006 at 8:12 pm

    Eu praticamente substituí o Word pelo Writely (agora Google Docs). Só vou para o Word quando preciso formatar “bonitinho” e imprimir. Todos os textos do meu blog são escritos nessa interface web.

    Concordo com vc que um dos pontos fracos é a (ausência) de conexão. Sem falar em todos os problemas que vc citou. Mas acredito que o ponto forte (fortíssimo aliás) é a colaboração on-line em tempo real ou não. Isso é fantástico. Já usei diversas vezes e as pessoas que usaram comigo relataram que também a acabaram por usar a ferramenta com outras pessoas exatamente por causa disso.

    Daí concluo ser o conceito do software colaborativo superior. Não tem nada a ver com as milhões de funcionalidades e sim com essa (colaboração) que é “matadora”.

    É provável que a estratégia da Microsoft de criar um sistema híbrido seja melhor ainda do que o Google. Tem a vantagem de estar instalado no computador do usuário.

  • 7 Solon // Oct 13, 2006 at 8:18 pm

    ALEXANDRE: pois a questão de “edição colaborativa” é, junto com a adoção de um formato aberto, um dos carros chefes do novo Office - além, óbvio, da interface totalmente remodelada.
       
    mas, vem cá, será que tu não está usando o Writely mais como substituto do e-mail do que do Word?

  • 8 Alexandre Fugita // Oct 13, 2006 at 8:26 pm

    Então, eu uso o Writely (Google Docs) para criar documentos em conjunto. Muito mais fácil do que mandar por email. Imagine se eu altero uma vírgula e um outro colaborador altera outras coisas… e cada um na sua versão do texto. Aí a gente manda pra todo mundo, cada um sua versão… qual versão é a mais atual? Confusão…

    Fico feliz que o Word será colaborativo. Se não nem vale a pena pensar em usá-lo.

  • 9 devagar com o andor at Caveat Emptor // Nov 6, 2006 at 4:16 am

    […] E se a grande tendência para o futuro será, realmente, a união de funcionalidades online com aplicativos instalados no computador - com o que eu concordo -, estou em boa companhia em achar que a Microsoft está muito bem encaminhada. […]

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