Quem não é fã do gênero tende a não saber, mas a ficção científica costuma ser dividida em dois grandes estilos: soft sci-fi e hard sci-fi. Dia desses, em uma lista de discussão, alguém comentou (acho que o RicBit) que chamava de soft aquelas histórias que lidavam com conceitos absolutamente fantasiosos. Como exemplo, citou a série Fundação, de Isaac Asimov, devido ao uso da psicohistória.
PSICOHISTÓRIA - …Gaal Dornick empregando conceitos não-matemáticos, relacionou e definiu a psicohistória com o ramo da matemática em relação às reações de grandes aglomerados humanos a estímulos econômicos e sociais…
…Subentendido em todas estas definições está o avocar-se que o aglomerado em questão está suficientemente desenvolvido para um tratamento estatístico válido. A dimensão necessária de tal aglomerado pode ser determinada pelo primeiro teorema de Seldon, que… É ainda imperativo que o aglomerado em si seja desconhecedor da análise psicohistórica a que se acha submetido, para que todas as suas reações tenham validade…
A base da psicohistória no desenvolvimento das funções de Seldon, as quais exibem propriedades coerentes com tais forças econômicas e sociais, à medida que… (Enciclopédia Galáctica)
Eu argumentei que Asimov era um dos mais reconhecidos nomes da hard sci-fi, e que achava esta definição um pouco frágil, no sentido que bastava alguma dessas idéias fantasiosas se tornar realidade e a história mudava de categoria. Considerando-se o quanto o gênero influi pesquisas e invenções, parecia-me algo pouco eficiente.
Pois eis que, via Futurismic, fico sabendo de um grupo de cientistas dedicado ao estudo de threshold and pattern dynamics. Basicamente, buscam reconhecer quando são cruzados limiares que levam a catástrofes naturais ou mudanças bruscas (até mesmo no mercado econômico), e os padrões responsáveis por estes limites, na intenção de conseguir prever este tipo de coisa com razoável antecedência.
Talvez seja impossível chegar ao nível de refinamento da psicohistória prevista por Asimov, mas me parece que as semelhanças são suficientes para que isto, pelo menos, não seja mais impedimento para a Fundação ser considerada uma obra de soft sci-fi.
Ah, sim, qual a diferença entre os estilos, para mim? Simplesmente uma escolha de ênfase: no caso da ficção científica soft, a ambientação é apenas uma desculpa para desenvolver uma história e os dilemas de seus personagens - “Admirável Mundo Novo” é um ótimo exemplo do gênero-; a hard, por sua vez, é aquela em que a ciência, o futuro e suas implicações são a questão crucial, em detrimento aos personagens - e aí se encaixa praticamente toda a obra de Asimov e Arthur C. Clarke, por exemplo.
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