Caveat Emptor

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September 26th, 2006 · No Comments

Um dia desses, o Mojo me mandou um rant interessante de um professor preocupado com a questão do plágio e da desonestidade acadêmica em tempos de internet. Basicamente:

While the media and popular culture have spent countless hours extolling the virtues (and there are many) of these sorts of communities, I can’t help but wonder: How can we, the teachers and professors of the “interent generation” weed out the cheaters and liars from the honest students? How can we compete with the expectation for guiltless and effortless cheating the internet has instilled on our country’s children? I, for one, am running out of ideas.

As relações da academia com a rede são assunto para posts intermináveis, com os mais variados enfoques (é o atual tema do Roda de Ciência, por sinal). Mas acho que a questão do plágio, como o professor preocupado a coloca, não é tão temível assim.

Certamente, o plágio e a desonestidade acadêmica devem ser punidos com rigor, e professores fazem bem em estar sempre com um pé atrás quanto à veracidade do trabalho apresentado pelos seus alunos. Mas o que realmente incomoda o professor não é o plágio propriamente dito, a cópia de sites como Wikipedia ou de trabalhos que já existam. O problema, para ele, são sites que se propõem a solucionar problemas ou mesmo escrever trabalhos científicos em troca de dinheiro.

Como se tratam, a rigor, de trabalho original (ainda que não da autoria de quem o apresenta), eles seriam praticamente impossíveis de detectar. Concordo, mas acho que isso não é de todo problemático. Se houver suspeitas ou, melhor, maneiras de confirmar a fraude, excelente. Mas caso a mesma passe incólume por uma banca examinadora, tratar-se-á de trabalho original, de conhecimento efetivamente novo e, em última análise, útil.

O problema está, creio, no fato de que a pessoa que o apresente não tê-lo feito e, por extensão, não ter a capacidade de produção que o seu trabalho dá a entender. Se o aluno em questão não tiver pretensão alguma de seguir carreira acadêmica, acho que o mal cometido é mínimo, já que o conhecimento produzido é legítimo. Caso resolva permanecer na academia, não me parece demais imaginar que seus orientadores e colegas rapidamente iriam desmascarar a inépcia que o levou a apelar a este tipo de fraude. Em ambos os casos, a eventualidade de um trabalho ilegítimo terá causado dano quase nulo à academia.

A grande questão, me parece, continua sendo a de impedir que os alunos pensem que este tipo de prática é aceitável ou proveitoso. Como? Dando bons exemplos, isto é, punindo devidamente quem for flagrado cometendo o pior dos crimes acadêmicos, seja a pessoa quem for.

Tags: cultura · trends

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