Há pouco mais de uma semana, o esquadrão anti-bombas e o FBI foram chamados a um aeroporto nos EUA, depois que dois potes na bagagem de uma mulher testaram positivo para líquidos explosivos. A passageira foi questionada pelos policiais, enquanto pode-se imaginar o tipo de operação feita no aeroporto. Resultado? Era apenas maquiagem.
Alguns dias depois, em um aeroporto em Nova York, um blogueiro iraquiano foi proibido de embarcar em seu vôo porque estava usando uma camiseta com escritos em árabe, que diziam “não vamos ficar quietos”. Segundo o segurança que o obrigou a mudar de camiseta, a atitude do passageiro era “como ir a um banco com uma camiseta que diz ’sou um ladrão’”.
Na Inglaterra, responsáveis pela segurança em aeroportos informam que a probição de líquidos na bagagem de mão dos passageiros será permanente.
Nada disso, no entanto, bate a história (Google Cache, caso não funcione) de um jogador de World of Warcraft, que estava indo de Chicago para Ottawa passar as férias e conhecer outros jogadores que faziam parte de sua guilda. Quando se deu conta de que, ao ir ao banheiro do avião, seu iPod havia caído da sua calça dentro da privada, já era tarde demais: as comissárias e o piloto haviam dado um alerta de possível bomba a bordo. O resto da história é, ao mesmo tempo, engraçada e profundamente indignante, dada a quantidade de tempo, gente e dinheiro gasto com um acontecimento absolutamente frívolo e banal.
Tudo isto me lembra de um paper publicado pelo instituto Cato no começo do mês, mostrando como a ameaça terrorista é muito menor do que somos levados a acreditar. Em Israel, há quatro vezes mais chances de se morrer em um acidente de carro do que em um atentado terrorista, e nos EUA é mais provável ser atingido por um raio.
O que, a meu ver, só confirma a hipótese de que quanto mais paranóia e medo (alguém lembra da intoonfada?) por parte de governos e população, mais os terroristas vão sentir que estão conseguindo atingir seu objetivo. Enquanto mais gente não se convence disso, fico por aqui pensando como não pretendo entrar em um avião com destino aos EUA ou Inglaterra tão cedo.
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